quinta-feira, 14 de junho de 2018

A Importância da Água na Criação do PSI


Sede. Haras Guanabara

As regiões européias mais bem sucedidas na  criação dos cavalos de puro sangue de corridas não surgiram por acaso, elas se desenvolveram ao longo dos anos em razão da inúmera quantidade de bons animais que nelas nasceram e foram criados. Na Inglaterra destacam-se os campos de Yorkshire, Suffolk, Berkshire, Reading, Gloucestershire, Beckhampton e a região oeste de Sussex. Na Irlanda, as áreas no entorno de Dublin, oeste de Meath, Kildare, Cork, Cahir, Bansha, Doon, Monard, Oola, Palas Green, Adare e Patrickwell. Na França, os principais haras concentram-se no Calvados, Orne e na região de divisa entre os departamentos de Sarthe e Mayenne.



Estação de Tratamento de Água. Haras Guanabara.

Todas essas regiões possuem um aspecto comum, a pureza e qualidade de suas águas, originárias tanto de fontes naturais como de poços artesianos. Segundo trabalho de Burkhardt, J. foram pesquisadas 150 amostras de diversos haras localizados na Inglaterra, e foi constatado que, "yearlings” saudáveis de locomotores apresentavam em comum terem sidos criados em campos cujas águas possuíam teor de cálcio, entre 180 a 300 partes por milhão, além de magnésio + fósforo em percentuais adequados e ricas em sulfatos. Constatou-se, que a incidência de animais com dificuldades nos anteriores oriundos de propriedades cujas águas possuíam teor de cálcio inferior a 90 ou superior a 300 partes por milhão era muito elevada. Por esse mesmo estudo, os problemas que se apresentavam mais comuns eram, sobreosso, pontas inferiores do radio engrossadas, sesamóides com muita tendência a inflamações, desarticulação das juntas do boleto e doenças podais. Outro aspecto também observado, é que essas anomalias começavam a surgir com mais freqüência na primavera, quando o crescimento ósseo é mais rápido devido a abundância de pastagens e quando os joelhos e boletos ainda fracos para o peso, se esforçam em razão do galope da potrada em solo seco. Sendo que os sobreossos e as manqueiras de joelho "estouravam" em forma geral nos inícios do treinamento desses animais.



Pavilhão de Garanhões. Haras Guanabara.



Piquetes. Haras Guanabara.



Maternidade. Haras Guanabara.



Cocheira dos potros. Haras Guanabara.



Cocheira das éguas e administração. Haras Guanabara.


O notável veterinário chileno dr. Arturo Anwandter Paz ao assumir o comando técnico da criação do Haras Guanabara e diante de problemas que já haviam sido observados e relatados no estado de São Paulo pelo dr. Octavio Dupont no relacionado a questões relativas a carências minerais, mandou de imediato analisar a água da principal nascente da propriedade. Como essa água não se apresentou dentro do padrão de mais alta qualidade, dr. Roberto Seabra construiu uma E.T.A. para a devida adequação da mesma aos padrões de excelência que seu nível de criação exigia. A água era então tratada em sua dosagem mineral e com seu teor de cálcio sempre variando entre 180 e 250 p.p.m. a depender da época do ano, do tipo de adubação e correções praticadas nos piquetes. Essa água, após tratamento, era distribuída por gravidade para todos os piquetes, cocheiras, sede, etc. A passagem do dr. Arturo Anwandter correspondeu a época de “ouro” do Haras Guanabara.

Curiosidade: O grande craque argentino Arturo A, assim foi batizado como uma homenagem do Haras Las Ortigas ao dr. Arturo Anwandter. Para termos uma ideia do grau de investimento levado a termo pelos irmãos Roberto e Nelson Seabra no Guanabara, fora a grandiosidade das instalações e a qualidade das importações, o que não deve ter custado na década de 50 trazer da Argentina o veterinário de maior prestigio na América do Sul para residir no Haras Guanabara, distante 200 km do Rio de Janeiro.

O Brasil possui áreas próximas a importantes núcleos de criação que oferecem condições de solo, relevo e água adequados a uma criação de primeira grandeza, e que deveriam ser levadas em consideração antes da instalação de um haras. Como exemplo, pode ser citado o "pequeno e modelar" Haras Curitibano, que além de se situar sobre uma nobre mancha de Latosolo Roxo Eutrófico, encontra-se dentro da importante jazida Ouro Fino, e consequentemente possui a sua disposição das mais consideradas águas minerais do Brasil. Não é por acaso, que, sempre com poucos nascimentos por geração, o Curitibano de forma contumaz se destacou através do desempenho de seus produtos. Os campeões internacionais Gandhi di Job e Boby di Job são seus crioulos.




                                                                                                                           
Haras Curitibano.


O sucesso no PSI é um somatório de vários fatores, que se iniciam na escolha certa da localização do haras, num correto manejo, passando por estudos genealógicos e que termina nos hipódromos com um bom treinamento e direções cuidadosas.



Farda do Stud Seabra.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Didimo


Didimo, fam. 4, castanho, 2008, RS, de criação do Stud Eternamente Rio e propriedade de Abrahão Assam Filho é um descendente de Nedawi em Qualibet por Burooj. Trata-se de um cavalo com físico equilibrado e elegante, sendo, também, dono de belíssima cabeça que expressa a nobreza de sua linhagem. Possui, além, importante inbreeding 3 x 4 x 5 sobre Northern Dancer, através de Danzig, da campeã Northernette e da grande campeã e importante mãe Dahlia.

Didimo na tarde do GP Brasil 2012.


Foto Márcio de Ávila Rodrigues.


Nedawi, seu pai, apresentou muito boa campanha, 7-3-2-1, venceu o St. Leger Stakes, G1; Gordon Stakes, G3; 2. King George VI and Queen Elizabeth Stakes, G2 e 3. Leith’s July Trophy, L. Notável garanhão entre nós é pai de 49 individuais ganhadores em provas de grupo, sendo 16 em G1, possuindo um índice de 6,21% que o coloca no principal patamar dos reprodutores que já serviram no Brasil. Dentre seus filhos além de Didimo podemos citar, entre vários, alguns nomes: Very Nice Moon, GP Immensity, G1; Generosidade, GP OSAF, G1; La Defense, GP Roberto e Nelson Seabra, G1; Right Idea, GP Diana, G1 ; Desejo Infinito, GP Henrique de Toledo Lara, G1; Parapatibum, GP Barão de Piracicaba, G1; Mr Nedawi, GP Paraná, G1; Fuco, GP Linneo de Paula Machado, G1 e Core Business, GP Derby Paulista, G1.

Apesar de sua principal vitória ter sido em uma prova de fundo, Nedawi se apresentou em corrida como um indivíduo dono de forte “pointe de vitesse”, aquela capacidade de aceleração final muito importante para credenciar um animal como possível candidato ao sucesso na reprodução. Conseqüentemente, foi capaz de produzir uma Ever Love que venceu nos 1400 metros do GP Presidente Guilherme Ellis, G3; Cruzada Americana nos 1500 metros do GP João Cecílio Ferraz, G1; Quick As Ray nos 2000 metros do GP Diana, G1 e Faz de Conta nos 2400 metros do GP Zélia Peixoto de Castro, G1, isso ficando apenas em exemplos femininos. Os filhos de Nedawi venceram dos 1000 aos 3200 metros, tanto na pista de grama como na de areia, o que evidencia de forma clara a sua versatilidade como pai. 

Há que se destacar que o melhor arenático brasileiro das últimas décadas Mr Nedawi também é seu filho, lamentavelmente esse cavalo encontra-se no pior inferno astral que se pode esperar dentro da criação nacional, pois além de ser brasileiro é um especialista na areia... Não é possível compreender como os haras do Uruguai ainda não "enxergaram" Mr Nedawi, um cavalo portador de régio pedigree, que certamente contribuiria com ótimo classicismo para a criação uruguaia. Afinal, vencer por duas vezes o Dardo Rocha e mais o Ramirez não é pouco feito.

Mr Nedawi





O lindo Nedawi. 





Fotos Ninho do Albatroz.


Seu avô materno Burooj, 21-7-5-4 na Inglaterra, teve em sua vitória no Bonusprint September Stakes, G3 em 1600 metros o seu melhor resultado, obteve um segundo no Pertemps Jockey Club Stakes, 1800 m, G3 e um terceiro no Cumberland Lodge Stakes, 2400 m, G2. Foi um reprodutor bastante útil, tendo produzido os vencedores de G1 Hot Six, GP Associação Latinoamericana de Jockeys Clubs e Hipódromos; Coquetel, GP Derby Paulista e GP J. Adhemar de Almeida Prado - Taça de Prata, Byzantium, GP Ipiranga; Detective, GP Jockey Club de São Paulo, Dá-lhe Grison, GP Paraná e Baccarat, GP Paraná, mais inúmeros G2 e G3. Burooj pertence a uma ramificação materna de bastante sucesso, sua avó, Queen Sucreé, é mãe do Kentucky Derby winner Cannonade e dela descendem inúmeros vencedores de grupo nos EUA.

Burooj.




Qualibet, sua mãe, é uma vencedora de duas carreiras. Com 7 produtos em idade de corrida, 5 correram e todos venceram, ela se apresenta como uma mãe de muito bom mérito, pois além de Didimo produziu sua irmã inteira La Vie En Rose, 1. GP Duque de Caxias, G2 e GP José Paulino Nogueira, G3, além de um excelente segundo lugar no GP OSAF, G1 disputado em 2017. Sua outra filha, a exportada Emerald Fire (Crimson Tide) obteve um 4. GP Roger Guedon, G3. A quarta-mãe de Qualibet, Northernette, foi a “Champion filly” aos 2 e 3 anos no Canadá, com 13 vitórias dos 2 aos 4 anos,  Selene Stakes, G1; Top Flight, Handicap, G1; Apple Blossom Handicap, G2 e o Canadian Oaks, G3 foram suas principais conquistas. Trata-se de uma irmã inteira de Storm Bird.


Didimo em sua vitória no Grande Prêmio Brasil.




                                               Campanha

2 anos

1. Prova Especial Jayme Torres – C, 1400 m, GM, Cidade Jardim,
4. Prêmio Boker Tov – 2008, 1600 M, GF, Cidade Jardim,

3 anos

6. Prêmio Umberto Ottaviani, 1800 m, AP, Cidade Jardim,
1. Prêmio Florenzo, 2000 metros, GM, Cidade Jardim,
2. Grande Prêmio Oswaldo Aranha, G2, 2400 metros, GP, Cidade Jardim,
3. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GM, Cidade Jardim,
1. Grande Prêmio ABCPCC - Matias Machline, G1, 2000 metros, GP, Cidade Jardim,

4 anos

1. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GM, Gávea,
1. Prova Especial Thignon Lafré, 2400 metros, GM, Cidade Jardim,
3. Gran Premio Internacional Carlos Pellegrini, G1, 2400 metros, GL, San Isidro – Argentina.


Didimo, a princípio, teve no Grande Prêmio Brasil de 2012 a sua principal vitória, quando derrotou parelheiros de muito boa qualidade em um dos campos mais equilibrados dos últimos anos, podemos citar dentre eles os G1 Cisne Branco, GP Cruzeiro do Sul; Hunka Hunka, GP Diana; Tônemaí, GP Francisco Eduardo de Paula Machado e Invictus, GP São Paulo. Todavia, consideramos a sua terceira colocação no GP Internacional Carlos Pellegrini 2012 como o seu mais importante feito. O peso é um aspecto de suma importância em uma corrida de cavalos, e a tabela de pesos do GP Pellegrini em questão observou uma diferença de 7 kg entre os 3 anos e os de 5 anos e mais, uma criticável margem, que, em nosso entendimento, tornou o nível da competição injusto para com os mais velhos. Os potros de 3 anos foram contemplados com 54 kg, os 4 anos carregaram 60 kg e os de 5 e mais idade levaram 61 kg.

Almirante Henry John Rous, quando nomeado handicapper público no Reino Unido, introduziu a escala de peso por idade (WFA). WFA é uma das condições para uma corrida, e significa que um cavalo terá um peso definido de acordo com a mencionada escala. Esse peso, segundo a ideia original, variava de acordo com a idade do cavalo, seu sexo, distância da corrida e mês do ano. O WFA é um método para se tentar igualar o progresso físico que um cavalo de corrida leva até a sua maturidade e a diferença entre sexos. Rous experimentou pesos até chegar a uma relação entre idade, sexo e maturidade, concluindo a premissa: “1 quilo equivale a 3 metros de diferença, em 2000 metros de percurso sobre a grama macia.” 

Como um cavalo tem aproximadamente 2.45 metros de comprimento equivale dizer que cada 1 quilo corresponde a aproximados 1.23 corpos de diferença, 2 quilos seria igual a 2.46 corpos, e assim sucessivamente. Ou seja, a diferença de peso entre Didimo com 60 kg e o vencedor da prova que carregou 56 kg, nos dá 12 metros ao ganhador, aproximados 4.9 corpos de vantagem. Going Somewhere, o vencedor carregou 56 kg (opção do treinador), o segundo colocado foi o potro argentino Indy Point (3. Breeder’s Cup Turf, USA, G1), que levou 54 kg e ficou a pescoço, Didimo com 60 kg ficou a um corpo de distância. Nos cabe uma reflexão sobre se a ultrapassada tabela de peso levada a termo nessa prova influenciou de forma negativa no resultado da mesma. No nosso entendimento a resposta é sim. Se pudermos compreender a figura de um “vencedor moral”, o vitorioso do GP Carlos Pellegrini 2012 foi Didimo.

Didimo no haras.



A primeira geração de Didimo nasceu em 2014, possuindo 21 produtos registrados. Sendo 14 em idade de corrida, dos quais 7 correram e 3 venceram. A potranca Olympic Harbor, de sua primeira geração, já se apresenta na esfera clássica com uma boa quarta colocação no GP Prefeito Fábio da Silva Prado, G2 nos 2000 metros da grama de Cidade Jardim. Acreditamos que Didimo tenha plena possibilidade de se tornar um digno herdeiro do sucesso de seu pai na reprodução, certamente ele é hoje uma das maiores esperanças da criação nacional.

Informações sobre coberturas com o sr. Marcio N. Boiman                   11 98450-4325.