segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Thignon Boy


Foto Ninho do Albatroz.

Thignon Boy, fam. 1-w, alazão, Paraná, 2000, por Thignon Lafre e Betina Girl por Mat Boy, de criação e propriedade do Haras Valente, 17-8-1-1, foi um corredor de muito boa qualidade, venceu dos 2 aos 4 anos, dos 1600 aos 2400 metros. Sua vitória no GP Brasil o consagrou como o melhor cavalo em atividade no país em 2004 – Troféu Mossoró.




Seu pai Thignon Lafre, 9-5-3-0, venceu os GP São Paulo, 2400 m – G1, GP Derby Paulista, 2400 m – G1, GP Jockey Club de São Paulo, 2000 m – G1, foi segundo colocado nos GP J Adhemar A Prado – Taça de Prata, 1600 m – G1 e GP Pres Rafael A Paes de Barros, 2400 metros – G2. 

Thignon Lafre a primeira vista indica apresentar um baixo aproveitamento clássico, mas, de seus 9 ganhadores Black-type, 7 o fizeram em provas do mais alto patamar, além de Thignon Boy apresentou nessa esfera a Roxinho (GP Ipiranga, GP Derby Paulista, GP Jockey Club de São Paulo - Tríplice Coroado Paulista), Balxiza (GP Derby Paulista, 3. GP Carlos Pellegini – Arg) , Lewis (GP Cruzeiro do Sul), Estrela Anki (GP Zélia Peixoto de Castro), Energia Cósmica (GP Linneo de Paula Machado – Grande Criterium), Valiantness (GP OSAF) e mais os vencedores e/ou colocados em demais grupos Salustiano, Vasuveda, Alcazar, Mr Lafre, Sinitron, Rebequista, Whisper Boy, After Sister, Interfab, etc.

Thignon Lafre.


Foto Ninho do Albatroz.

Seu avô paterno Henri Le Balafré, correu dos 2 aos 4 anos, tendo sido apresentado nas pistas 13 vezes, para obter 5 vitórias, 2 segundos e 1 terceiro lugares. Venceu o Prix Royal Oak, 3100 m, G1 – FR e Premio Roma, 2000 m, G2 – ITY; 2. Prix de Fontainebleau, 1600 m, G3 – FR; 5. Prix Eugene Adam, 2000 m, G2 – FR. Regionalmente venceu o importante Grand Prix de Lyon, 2400 m, L – FR. 

Produziu 21 individuais ganhadores de grupo, sendo 11 em grupo 1. Foi pai de Ás de Pique (GP São Paulo), Ken Graf (GP São Paulo), Fantastic Dancer (GP ABCPCC – Copa Matias Machline), Pour Henri (Derby Paulista), Quintus Ferus (GP Ipiranga), Outra Arumba (GP Diana), La Greve (GP Diana), etc

Henri Le Balafré.


Sua mãe, Betina Girl, sem destaque nas pistas. Como reprodutora produziu 3 elementos, dois correram e dois venceram, Thignon Boy é o seu melhor filho. Seu avô materno Mat Boy é considerado na reprodução um “gigante genético argentino”, foi parelheiro de extrema categoria, 13-11-2-0, principais resultados:

           EUA:
-         1. Widener H, G1, G, 2000 m – venceu por 10 corpos, Hialeah Park,
-         1. Gulfstream Park H, G1, G, 2000 m – venceu por 12 corpos, em recorde 1’59’00, Gulfstream Park,
-         2. Pan American H, G2, G, 2400 m,

Argentina:
-         1. GP de Honor, G1, G, 2500 m –  venceu por 38 corpos, 3’6”2/5,
-         1. GP Republica Argentina, G1, G, 3000 m – venceu por 13 corpos, 2’33”4/5,
-         1. Cl. Chacabuco, G2, G, 3000 m –  venceu por 17 corpos, 2’35”2/5,
-         1. Cl. Comparación, G2, G, 2500 m – venceu por 10 corpos, 2’34”3/5

Mat Boy.



Do veio familiar de Thignon Boy podemos destacar, Team (Champion 2 anos na Argentina, Carrera de las Estrellas, G1), Golfer (Polla de Potrillos, G1), Royal Bay (Polla de Potrancas, G1), La Costa Azul (Polla de Potrancas, G1), no Brasil Empire Day (GP J Adhemar A Prado – Taça de Prata, G1, Champion 2 anos), Old Tune (GP Margarida Polak Lara, G1), etc.

Além de Mat Boy, ele reúne em sua linha baixa até a quarta geração uma sucessão de craques do porte de Mountdrago (gigante genético argentino) e Utópico, na quinta geração aparece El Curaca, pai e avô materno de singular êxito na Argentina.

Thignon Boy em sua vitória no GP Brasil - 2004.


                                        

                                                  Campanha

2 anos

6. Prêmio Esportes Rádio Banda B, 1200 m, ALN, Tarumã,
2. Prêmio Asociación Latinoamericana de Jockeys Clubes, 1500 m, GRP, Cidade Jardim,
8. Grande Prêmio ABCPCC – Criterium Paranaense, G3, ALN, Tarumã,
1. Prêmio Edgard Garcia, 1600 m, GB, Cidade Jardim,

3 anos

1. Prêmio Sociedade Hípica Paulista – 92 anos, 1600 m, GRP, Cidade Jardim,
12. Grande Prêmio Ipiranga ***, 1600 m, G1, GRP, Cidade Jardim,
1. Prêmio Dirty Dancer, 1600 m, GM, Cidade Jardim,
3. Grande Prêmio ACPCCP – Taça Pinheiro de Ouro, G3, 1600 metros, ALN, Tarumã,
1. Prova Especial Linneu Ferreira do Amaral, 1900 m, ALN, Tarumã,
1. Grande Prêmio 14 de Março, G2, 2400 m, GP, Cidade Jardim,
1. Grande Prêmio Oswaldo Aranha, G1, 2400 m, GM, Cidade Jardim,
6. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 m, GP, Cidade Jardim,

4 anos

8. Grande Prêmio Dezesseis de Julho, G2, 2400 metros, GB, Gávea,
1. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 m, GB, Gávea,
1. Grande Prêmio Copa ABCPCC – Matias Machline, G1, 2400 metros, GB, Gávea,

UAE

4. Elnadim Handicap, 2200 m, GF, Nad Al Sheba,

5 anos

12. Etisalat Emirates Cup - Invitacional, 1800 m, GL, Nad Al Sheba.

Obs. Thignon Boy sentiu nessa prova, sendo alçado por seu jóquei, e foi retornado ao Brasil para servir na reprodução.


A linhagem de HURRY ON.


Hoje Thignon Boy é o único representante vivo do veio masculino de Hurry On no turfe mundial e curiosamente vêm através de uma linhagem de melhores filhos, Precipitation – Sheshoon – Sassafras – Henri Le Balafré – Thignon Lafre. 

Precipitation. 


Sheshoon. 


Sassafras.


Sassafras derrotando Nijinsky no Arco do Triunfo.


Cabe aos criadores brasileiros a decisão, em oferecer ou não, as condições para se buscar manter a sobrevivência dessa linhagem, e Thignon Boy possui plenas possibilidades para tal. Como posição no mercado internacional percebe-se hoje uma busca por "novos sangues", Calumet Farm levou para seu "pool" de sementais a Bal a Bali, um raríssimo continuador da linhagem masculina de Man O'War. A genética alemã é disputada no mercado europeu para "refrescar sangue", Allegretta, mãe da notável Urban Sea (Galileo, Sea The Stars e Born to Sea) é basicamente sangue alemão. A criação nacional deve acreditar em nossos garanhões, em nossos Icecapades, Put It Backs, assim como o Japão acreditou em Sunday Silence, a Austrália em Danehill. 

O Japão recentemente importou do Brasil matriz Christine's Outlaw... Por qual razão o mercado externo não compraria filhos de nossos bons Icecapades como Universal Law, High Chris, Tônemaí ou Poker Face? 

Acreditar em Thignon Boy pode vir a ser uma interessante estratégia futura de mercado por sua raridade genética.

Entendemos que as melhores oportunidades para o perfil de Thignon Boy sejam filhas de cavalos de média distância ou milheiros com éguas pertencentes a linhagens de velocidade, Redattore, Ay Caramba, Manduro, Molengão, Setembro Chove, Pounced, Wild Event, Christine's Outlaw, Agnes Gold, Silent Name, Cape Town, Vettori e também Out of Control com seu espetacular sangue argentino seria outra opção a se destacar. Ao analisarmos a sua muito reduzida produção à de se notar que é esse exatamente o perfil dos pais das éguas com as quais obteve produção vitoriosa e útil.

P.S. Essa feliz redescoberta de que Thignon Boy encontra-se aos 18 anos gozando de excelente saúde, foi fruto da troca de ideias de um grupo de amigos turfistas. E o mais importante é saber que duas éguas de excelente qualidade, uma filha de Ay Caramba e a outra de Manduro, ambas sobre linhas de velocidade, foram selecionadas por seus proprietários e serão ofertadas para seu serviço.  

P.S. Nesse estudo não pude deixar de relembrar a LEWIS, crioulo do Haras LLC, e com o qual ganhei um BELÍSSIMO trocado quando de sua vitória no GP Cruzeiro do Sul, vencendo Sal Grosso, Timeo, Moryba, Another Xhow, Grapette Repete...

Lewis vencendo o GP Cruzeiro do Sul - 2010.



Não conheço o dr. Claudio Ramos, titular do Haras LLC, mas deixo aqui uma despretenciosa sugestão para uma sua égua, a Nossa Prosa. Como não sei se ele conhece o nosso blog, peço que se algum amigo leitor conviver da sua proximidade, a gentileza de mostrar a ele o hipotético cruzamento abaixo. Tudo pensando no MUITO BOM Lewis...



Thignon Boy encontra-se alojado no Haras Valente.






























segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O "Horloger" e Sea of Class



Será feita uma breve mostra da construção do pedigree de SEA OF CLASS, segundo preceitos da tipologia funcional. Esse pedigree é uma aula sobre o tema e uma reflexão quanto a utilização de inbreedings. Algo totalmente distinto do amontoado, sem sentido quanto a funcionalidade, de nomes apenas “duplicados” que hoje se vê em grande parte dos pedigrees. 

Evidentemente, que pelo atual gargalo genético, as possibilidades matemáticas do sucesso acontecer nessas "duplicações" funcionalmente aleatórias são consideráveis, afinal, nada pode impedir que o efeito “salto” de geração aconteça e traga o desejado. Mas, é algo totalmente distinto de um trabalho refinado, com planejamento consciente sobre o que se busca, e como se busca, quando se leva em consideração a morfologia e herança funcional. 


Hoje, criadores internacionais de maior sucesso na gravitação do PSI não prescindem da utilização de hipólogos em seus times. E esse trabalho para se tentar obter o grande craque nunca é feito de forma solitária, e sim faz parte de uma engrenagem, da qual participam treinadores e veterinários, que somam quanto ao conhecimento comportamental e de saúde dos animais e das linhagens à disposição. A equipe dessa forma compreende de forma clara qual o tipo, as características e a natureza da matéria-prima a seu dispor. E o trabalho do hipólogo, é justamente o de colocar em sintonia fina todos os aspectos das linhas que irão compor o pedigree, com ou sem a utilização de inbreedings. Como um "horloger", o artesão relojoeiro, que afina e azeita o delicado mecanismo de precisão de um velho e confiável relógio a corda. 

Um cruzamento correto é a "radiografia" da essência de um cavalo e ferramenta inicial com a qual é possível objetivar o sucesso na atividade.






Inbreedings:

A) – Miswaki, 3 x 4, Quality chef, reconhecido como transmissor de velocidade intermediária:




Através de Sea The Stars, vencedor dos 1600 aos 2400 metros;  2000 Guinéus, Derby de Epson, Arco do Triunfo, Eclipse Stakes, Juddmonte International Stakes, Irish Champion Stakes, etc.




                            
e Hernando, vencedor dos 2000 aos 2400 metros; Prix Lupin, Prix du Jockey Club (na época disputado sobre 2400 metros), Prix Niel, Prix Gontaut-Biron, 2. Arco do Triunfo, etc. 




B) - Northern Dancer, 5 x 5 x 5, chefe de raça Intermediário/Clássico:





Através de Danzig, chefe de raça Intermediário/Clássico, por sequência masculina em Green Desert, Quality chef + Cape Cross, chefe de raça Clássico + Sea The Stars,


e Nijinsky, 4 x 4, chefe de raça Clássico/Sólido, via Holy Moon:






               Através de Niniski, chefe de raça Clássico/Profissional,



                e Caerleon, Quality chef,





C) - Balidar, 5 x 5, Quality chef,




 através de Young Generation,



 e Balidaress,


                                        
   
Diagrama de dosagem de Sea Of Class






sábado, 4 de agosto de 2018

Kapo di Tutti


Kapo di Tutti, fam. 22-b, castanho, SP, 2005, por Redattore em Granny’s Pie por Ghadeer, de criação e propriedade do Haras Mabruk. É um cavalo que possui tipo físico refinadíssimo, quem o viu desfilar sem selim no paddock após sua vitória no GP Presidente da República, teve a oportunidade, de ver a nobreza de um campeão PSI no auge de seu esplendor. Atrevo-me a dizer que o considero mais elegante e harmonioso que seu belíssimo pai. Mesmo sendo um cavalo de temperamento sanguineo, Kapo di Tutti, se apresentou como um elemento de boa categoria em pistas, e por tal razão, foi consagrado em 2009 com o troféu Mossoró como o melhor milheiro em atividade no país. Venceu dos dois aos cinco anos, dos 1300 aos 1700 metros, 18-9-2-4, fez parte de uma interessante geração, a qual pertenciam Fluke, Skypilot, Snack Bar, Lieve, Estrela do Oriente, etc.

Redattore.




Seu pai Redattore em 10 apresentações, sempre no hipódromo da Gávea, obteve 6 vitórias e 3 colocações, sua principal vitória no Brasil foi o GP Pres.da República, G1, 1600 metros. Levado aos EUA levantou um total de U$1.799.883 em prêmios, vencendo o Eddie Read Hcp., G1, 1800m, Shoemaker Breeders’ Cup Mile S., G1, 1600m, Citation Hcp., G2, 1700m, Frank E. Kilroe Hcp., G2, 1600m, San Antonio Hcp., G2, 1800m, San Francisco Breeders’ Cup Mile, G2, 1600m, San Gabriel Hcp., G2, 1800m, sendo segundo colocado no Shoemaker Breeders’ Cup Mile S. G1, 1600m, Inglewood Hcp., G3, 1700m, e terceiro no Eddie Read Hcp., G1, 1800m, Arlington Million, G1, 2000m, Seabiscuit Hcp. e Live the Dream Handicap. Campanha infinitamente superior a imensa maioria dos garanhões estrangeiros importados para servirem de forma definitiva na criação brasileira.


Redattore, possui 29 individuais ganhadores Black Type, tem produzido elementos de grande capacidade locomotora e com físicos exemplares; dentre seus filhos podemos destacar os G1: Olimpo (GP Francisco Eduardo de Paula Machado), Editore (GP Estado do Rio de Janeiro), Zara (GP Margarida Polak Lara), Sutil (GP Diana), Real Secret (GP Ipiranga) e Renânia (GP Roberto e Nelson Seabra) dentre outros. Mesmo com esse muito bom desempenho reprodutivo jamais foi prestigiado em sua plenitude por nosso élevage, confirmando a dificuldade do criador brasileiro em apreciar as qualidades de indivíduos nacionais com grande mérito em pistas para reprodutor. Somos seguramente o único turfe mundial com esse tipo de comportamento para com seus destacados corredores. Nossos bons cavalos quando exportados para esse míster sempre se destacaram como garanhões de enorme ou belo sucesso, podemos citar alguns exemplos como Emerson na França, Lohengrin no Peru, Leroidesanimaux nos EUA, Hawk, Radar e Snooker no Chile, Jolly Joker na Venezuela, Tapuia e Cagney no Uruguai, Dulçor na Alemanha, Latino na Dinamarca... 

Sua mãe, Granny's Pie, uma crioula do Haras Santa Maria de Araras, em suas 3 apresentações obteve duas vitórias e uma colocação. Como reprodutora possui 14 produtos registrados em idade de corrida, 12 correram e 8 venceram (57,10%), Kapo di Tutti é de longe o seu melhor filho. Pallas Cloud, sua terceira mãe, é uma vencedora de G3, em sua época, na Argentina, Clasico Producción Nacional, grama, 1000 metros. Essa é uma linha materna tipicamente neozelandesa, desconhecida para nós, e há de ser melhor observada e estudada.





Ghadeer, foi uma legenda na criação brasileira. Excepcional pai e considerado o melhor avô materno da história do turfe brasileiro. Produziu 65 individuais ganhadores de provas de grupo com 10,73% vencedores Black-type, sendo 27 G1 e é avô materno de mais de 80 ganhadores entre grupos e listeds.

É pai dos G1 Falcon Jet, Mensageiro Alado, Indian Chris, So Beauty, Gulf Starm, Gay Charm, Double Dream, Fausse Monnaie, Houret, Ardashir, Duffel, Unifrance, Eternitá, Uni Duni Te, Onefortheroad, Eco Art, Vuarnet, uma lista enorme a ser escrita...

Como o nosso tema é quanto a sua projeção como avô materno podemos rapidamente citar além de Kapo di Tutti a Super Power, Riboletta, Fool Around, Emy Slew, Einstein, Durban Thunder, Irish Lover, Ever Love, Lost Love, Forever Buck, Belo Acteon e É do Sul entre tantos outros. 

Quando potro foi preço recorde em leilão de sua época, sendo adquirindo pelos Maktoum. Como corredor, por razões principalmente devidas a curvilhões, não correspondeu as esperanças nele depositadas. Mas, venceu 3 provas entre França, Inglaterra e Itália, teve no Prêmio Carlo Porta, G3, 2000 metros, o seu mais expressivo resultado. Obteve ainda:

1. Prix des Narcises, 1600 m,
1. Lannie Stakes, 1600 m,
2. Premio Ribot, G2, 1600 m,
2. Grosser Kaufhot, G3, 1600 m,
3. Ocltigen Rennen, G3, 1600 m,
3. Duke of Edimburgh Stakes, LR, 1200.


Kapo di Tutti em sua vitória no GP Presidente da República - SP.




                                                  Campanha

2 anos

3. Prêmio Embalo, 1400 m, GM, Cidade Jardim,
1. Prêmio Jiddah, 1300 metros, GM, Cidade Jardim,
1. Prêmio Páreo Especial Octavio Florisbal, 1600 metros, GF, Cidade Jardim,
2. Prêmio Amor de Cisne, 1600 metros, GM, Cidade Jardim,

3 anos

7. Classico Farwell, L, 1600 metros, GF, Cidade Jardim,
1. Prêmio Skip Away, 1400 metros, GF, Cidade Jardim,
3. Classico Alberto Santos Dumont, L, 1600 metros, GM, Cidade Jardim,
8. Grande Prêmio Governador do Estado, G2, 1600 metros, GP, Cidade Jardim,
2. Prova Especial Nelson de Almeida Prado, 1400 metros, GP, Cidade Jardim,
3. Pesos Especiais Toll Free, 1600 metros, AMR, Cidade Jardim,
1. Pesos Especiais Great Impression, 1600 metros, GM, Cidade Jardim,
1. Grande Prêmio Presidente Antonio T Assumpção Neto, G3, 1600 metros, GM - com o tempo de 1: 32,95 ficando a 0.7 segundo do recorde da pista, Cidade Jardim,
1. Grande Prêmio Presidente da República, G1, 1600 metros, GP, Cidade Jardim,

4 anos

5. Classico Alberto Santos Dumont, L, 1600 metros, GP, Cidade Jardim,
1. Grande Prêmio Governador do Estado, G2, 1600 metros, GF, Cidade Jardim,
3. Gran Premio Internacional Joaquin S de Anchorena, G1, 1600 metros, GL, San Isidro - Argentina,

5 anos

1. Allowance - US$ 33.792, 1700 metros, GL - com o tempo de 1: 45,05 ficando a 0,6 segundo do recorde da pista, Golden Gate Fields - EUA. 

Obs: Após sua única apresentação vitoriosa nos Estados Unidos, Kapo di Tutti sentiu em treinamento, sendo retirado das pistas e reimportado por seu criador e proprietário para servir na reprodução.

Entendemos que Kapo di Tutti é um garanhão que reúne plena capacidade para transmitir de forma consistente o "sangue" de Ghadeer, além de ser um qualificado representante masculino de Roi Normand. 

Ghadeer venceu as estatísticas brasileiras de:

90/91, 91/92, 92/93, 93/94, 94/95, 95/96 e 96/97 como reprodutor,
97/98 como reprodutor e avô materno,
98/99, 99/00, 00/01, 01/02, 02/03 e 03/04 como avô materno.

Kapo di Tutti serve no haras em que nasceu. Acreditamos que o Mabruk, que já mais do que provou sua excelência na arte de criar destacados cavalos encontra-se em "modo de espera", provavelmente aguardando algum fato novo que alavanque a economia brasileira e a reboque o turfe. Consequentemente, a utilização de seus dois excelentes garanhões residentes, Kapo di Tutti e Locomotion encontra-se bastante reduzida pela situação que vivemos. Mesmo assim, com apenas 3 diminutas gerações e 14 animais em idade de corrida, dos quais 8 correram e 7 são vencedores já se destaca Tiepollo, 2. GP Presidente da República - RJ, G1, 1600 m e 2. GP Presidente Vargas, G3, 1600 m, que também defende em pistas as sedas do dr. Samir Abdenour, proprietário do Haras Mabruk.




quinta-feira, 26 de julho de 2018

Pensamentos sobre Tipologia funcional



As questões que envolvem o PSI se caracterizam por serem, sempre formuladas como dicotomias, isto é, de escolha entre o bem e o mal, ou, entre o bom e o ruim.

As principais questões desse tipo são: o inbreeding é bom e o outcrossing ruim , ou, ao contrário, se o outcrossing é bom e o inbreeding é ruim; se o garanhão é mais importante que a égua, ou se, a égua é mais importante que o garanhão; se o pedigree é mais importante que a performance, ou se a performance é mais importante que o pedigree; se a velocidade é mais importante que o fundo, ou se o fundo é mais importante que a velocidade?

Ou mesmo como o dr. Franco Varola perguntava: A criação do PSI é uma arte, ou, ao contrário, uma ciência?

O dr. Varola para uma questão muito em voga hoje, a utilização de inbreedings, dizia que nos primórdios do PSI, quando alguém citasse que um determinado cavalo era inbred sobre  Hampton, esse dado tinha um valor fundamental, pois Hampton, assim como outros chefes-de-raça da sua época estampavam em sua produção características em modo específico. Assim, dizer “inbred sobre Hampton” significava que aquele cavalo tinha razoável probabilidade de apresentar solidez, durabilidade, fundo, morfologia correta e boa treinabilidade.

Dentro do pensamento da “tipologia funcional” entendemos que o inbreeding e o outcrossing são fatos complementares e não antitéticos.




Northern Dancer.

Voltando aos tempos atuais, dizer hoje que um cavalo é inbred sobre Northern Dancer não significa absolutamente nada. Prescindindo do fato que está ficando sempre mais difícil encontrar um cavalo puro-sangue que não seja inbred sobre Northern Dancer. É preciso refletir que a descendência de Northern Dancer, no giro de algumas gerações chegou a abranger todo, ou quase todo, o diagrama aptitudinal. Na extrema esquerda encontramos indivíduos como Lit de Justice, Dayjur, Fasliyev, e muitos outros do mesmo tipo, que são Brilhantes puros. Na extrema direita encontramos, ao contrário, indivíduos como Peintre Celebre, Drum Taps, Yeats e assim por diante.

Em conseqüência, se duas correntes de Northern Dancer encontram-se no mesmo pedigree produzindo o assim chamado inbreeding sobre Northern Dancer, mas se elas procedem, uma de Storm Bird e a outra de Sadler's Wells elas significam duas coisas absolutamente diferentes. É verdade que no diagrama de dosagem aparecerá também a dupla presença de Northern Dancer e nada pode impedir que mesmo naquele cavalo específico Northern Dancer tenha influído duplamente como tal (o assim chamado efeito “salto” de geração), mas o que importa na realidade, é que essas influências todas (dois Northern Dancer, um Sadler's Wells, um Storm Bird, etc.) formarão um diagrama de dosagem que poderá ser avaliado no seu conjunto, e que, substitui o que antigamente era a capacidade estampadora unívora dos grandes chefes-de-raça.

Portanto, uma coisa era o inbreeding que acontecia nos tempos do exemplo Hampton, quando os chefes-de-raça eram paradigmáticos e imutáveis em seu comportamento. O inbreeding que acontece hoje, de um ponto de vista estritamente pedigrístico tornou-se um amontoado, em que entra um pouco de tudo no aspecto fundamento corredor. Isso é tão verdade que o inbreeding 2 x 2, 2 x 3 ou 3 x 3, que é o que realmente contaria para aumentar a probabilidade das acentuações das características de um indivíduo que se quer buscar, é hoje, em nível “Clássico”, muitíssimo mais raro que no passado.

Consequentemente é estéril falar do inbreeding, ou do oposto, outcrossing, em abstrato, pois essas duas situações adquirem importância só se forem vistas no contexto em que o criador está operando.

Assim, por coerência, devemos ficar atentos ao fato de que, como o inbreeding sobre Northern Dancer em si e por si não diz nada, também é verdade o contrário, isto é, um cavalo pode ser tecnicamente “outbred” no sentido que os nominativos das primeiras quatro gerações do seu pedigree são todos diferentes, entretanto, pode ser que muitos desses nominativos representem cavalos de funcionalidade muito similar entre si. O que oferece não um inbreeding em “sangue”, mas sim um "inbreeding" em aptidão análoga.




Igual esterilidade, apresentam os debates sobre a velocidade e o fundo em termos dicotômicos. Para fins práticos do criador que deve produzir cavalos para correr, é importante dispor de ambas as coisas, e, quando ambos atributos estão presentes, percebe-se na realidade, que são uma coisa só. Peguemos por exemplo Itajara, que foi invicto em todas as distâncias, 1100, 1300, 1500, 1600 (recordista na Gávea), 2000, 2400 e 3000 metros. Itajara tinha velocidade ou tinha fundo? A pergunta é totalmente ociosa; ele era um cavalo completo, pois tinha tudo o que precisava para dominar em qualquer situação os seus adversários, o que na verdade, é o objetivo de todo criador.




Itajara.

Esse aparente dilema: velocidade ou fundo, pode ser posto em termos concretos simplesmente eliminando a palavra “ou”, e quando o diagrama de dosagem apresentar evidência de ambos os fatores (assim como dos demais) poderemos dizer que aquele cavalo é funcionalmente completo, equilibrado, dispensando o uso de outros adjetivos.


Adaptação livre de manuscrito do dr. Franco Varola por Ricardo Imbassahy.





sábado, 21 de julho de 2018

Jeune-Turc


Jeune-Turc, fam. 4-m, castanho, RS, 2004, por Know Heights em Creature du Ciel por Machiavellian, de criação do Haras Fronteira e propriedade de Eduardo da Rocha Azevedo é dono de lindo físico e régio pedigree. Como animal de pistas, 24-4-5-3, se apresentou como um indivíduo de muito boa categoria. Foi consistente e longevo, tendo vencido dos dois aos cinco anos, dos 1300 aos 2400 metros. Jeune-Turc enfrentou com sucesso parelheiros da qualidade de Time For Fun, Flymetothemoon, Hot Six, Smile Jenny, Top Hat, Mr Nedawi, Moryba, Another Xhow, etc.

Seu pai Know Heigths foi corredor de bom padrão entre França e EUA, 17-10-3-2, sendo suas vitórias nos Carleton F. Burke Handicap, G2, 2400 m, grama e Sam Houston Handicap, G3, 2400 m, grama, mais suas segundas colocações no Hollywood Turf Cup Stakes, G2, 2400 m, grama e Escondido Handicap, G3, 2400 m, dirt, seus principais resultados. Regionalmente na França venceu os considerados Grand Prix de Lyon e Derby du Languedoc, ambos listeds em 2400 metros na grama. Reprodutor de excepcional gravitação entre nós, é pai de 53 individuais vencedores de provas de grupo, 9.65% Black-type e 105 individuais colocados em provas clássicas, produziu além de Jeune-Turc os G1, Colina Verde (tríplice coroada paulista), Queen Desejada (GP Brasil), Ivoire (GP Cruzeiro do Sul), Coray (GP Brasil e GP Diana), Negro da Gaita (Derby Paulista), Aviación (GP Zélia Peixoto de Castro), Xiririca da Serra (GP José Guathemozin Nogueira), Nepotista (GP Consagração), Reraise (GP Internacional Dardo Rocha-Arg), Send In The Clouds (GP Miguel A Martinez de Hoz-Arg) entre outros G2, G3 e listeds.

Know Heights.



Sua mãe Creature Du Ciel, foi uma corredora sem destaque, obtendo tão somente colocações em sua passagem pelas pistas. Possui, porém, linhagem de excepcional qualidade. É uma filha do muito destacado reprodutor Machiavellian, pai de mais de 78 vencedores de stakes, e dentre eles destaca-se o muito bom garanhão Street Cry. Possui 10 filhos registrados, 7 correram e 6 venceram. Têm em Jeune-Turc seu mais destacado produto, dos demais pode ser citado Nonno Luigi (GP ABCPCC, G1).

Machiavellian.



Sua segunda mãe, Northern Trick, foi a Champion 3-year-old filly na França, 1. Prix de Diane, G1; Prix Vermeille, G1; Prix de la Nonette, G3; 2. Prix de L’Arc de Triomphe, G1; Prix Saint-Alary, G1, etc. Do ramo materno de Northern Trick descendem a Champion mare européia Shiva (Tattersalls Gold Cup, G1), Light Shift (Oaks Stakes, G1), Limnos (Prix Jean de Chaudenay, G2), Burning Sunset (3. Prix d’Harcourt, G3) , That Wich is Not (2. Prix Corrida, G2), Hyades (2. Charles Whittingham Memorial Handicap, G1). De fato, Northern Trick não transmitiu de forma vigorosa sua imensa categoria de pistas, mas, o seu ramo pode ser considerado apenas como “dormente” em classicismo, pois vêm produzindo com habitualidade bons ganhadores e freqüentadores de esfera clássica. Acreditamos que possa voltar a florescer em grande estilo a qualquer momento. Essa família é a 4-m, uma das mais importantes "fornecedoras" de ganhadores clássicos no turfe moderno.

Jeune-Turc.


Foto: Ninho do Albatroz.

Como reprodutor Jeune-Turc apresenta Olimpico (GP Juliano Martins, G1; GP Pres. José de Souza Queiroz, G2 e 2.GP Dr. Ennio Buffolo, G3), Nevisk (GP Piratininga, G3 e 3. GP Presidente da República – SP, G2), Lohengrin Truc (2. GP Gal. Couto de Magalhães, G2), Lumiere (3. GP Presidente José Bonifácio Coutinho Nogueira, G2 e GP José Paulino Nogueira, G3) Los Manos (3. GP Linneo de Paula Machado, G3) como seus melhores filhos.

Jeune-Turc em sua vitória no GP Brasil 2009.


Jeune-Turc em sua vitória no GP São Paulo 2008.



                                                      Campanha

2 anos

1. Prêmio Waimea Super, 1300 m, GB, Gávea,
4. Grande Prêmio Presidente José de Souza Queiroz, G2, 1400 metros, GF, Cidade Jardim,
6. Grande Prêmio Conde de Herzberg, G2, 1500 metros, GP, Gávea,

3 anos

6. Grande Prêmio ABCPCC, G1, 1600 metros, GM, Gávea,
1. Classico Justiça do Trabalho, L, 2000 metros, GB, Gávea,
4. Grande Prêmio Linneo de Paula Machado, G1, 2000 metros, GB, Gávea,
4. Grande Prêmio Derby Paulista, G1, 2400 metros, GP, Cidade Jardim,
2. Grande Prêmio Almirante Marquês de Tamandaré, G3, 2400 metros, GP, Gávea,
2. Grande Prêmio Presidente Arthur da Costa e Silva, G3, 2000 metros, GB, Gávea,
4. Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, G1, 2400 metros, GP, Gávea,
1. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GF, Cidade Jardim,

4 anos

4. Grande Prêmio OSAF, G2, 2400 metros, GP, Gávea,
17. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GB, Gávea,
3. Grande Prêmio CPCCSP, G3, 2400 metros, GP, Cidade Jardim,
9. Grande Prêmio Natal, G3, 1900 metros, AE, Cidade Jardim,
3. Grande Prêmio João Borges Filho, G2, 2400 metros, GL, Gávea,
10. Grande Prêmio São Paulo, G1, 2400 metros, GP, Cidade Jardim,

5 anos

2. Grande Prêmio Dezesseis de Julho, G2, 2400 metros, GM, Gávea,
1. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 metros, GP, Gávea,
2. Grande Prêmio Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior, G2, 2400 metros, GM, Gávea.

Argentina

2. Gran Premio Miguel Alfredo Martinez de Hoz, G2, 2000 metros, GL, San Isidro,
3. Gran Premio Internacional Carlos Pellegrini, G1, 2400 metros, GL, San Isidro.

EUA

5. Bowling Green Handicap, G3, 2200 metros, GL, Belmont Park.


Entendemos que para Jeune-Turc, tal qual seu irmão paterno Ivoire, a criação nacional ainda não praticou o cruzamento de comprovada afinidade à linha Mill Reef – Shirley Heights, ou seja, Sadler's Wells. Filhas de Crimson Tide / Plenty of Kicks e Mellon Martini devem oferecer maiores possibilidades de sucesso a Jeune-Turc e seu irmão Ivoire. Possivelmente filhas de Vettori sobre éguas de linhagens velozes, também sejam uma interessante escolha para Jeune-Turc, repetindo o inbreeding em Lope de Vega, 3 x 3 sobre Machiavellian + velocidade. 

O que é possível perceber em comum ao se analisar os pedigrees de Olímpico e Nevisk, os dois vencedores de grupo por Jeune-Turc?





Resposta: Mães pertencentes a linhagens com VELOCIDADE. 

Jeune-Turc, assim como Ivoire basicamente necessitam de velocidade. 

Tanto Jeune-Turc como Ivoire, ambos parelheiros de excepcional qualidade, são preciosos veios para continuar a linhagem masculina de Mill Reef entre nós. É irracional o desprezo que a criação nacional tem com indivíduos desse quilate apenas por terem cometido o pecado de serem cavalos brasileiros.




terça-feira, 10 de julho de 2018

Um tema recorrente: Velocidade



Mercúrio, o deus romano da velocidade.


Na literatura turfística muito tem sido escrito sobre a velocidade no cavalo puro sangue de corrida. Infelizmente grande parte desses autores  confundem um aspecto fundamental, distância curta com velocidade. Animais velozes e vigorosos podem ganhar em distâncias mais longas - 2400 metros e 3000 metros ou mais -  e, nesse caso, a velocidade que importa é a demonstrada no último quarto da corrida. Esses exemplares com aceleração final de forma geral são bem sucedidos na reprodução. 

Existem velocistas, milheiros, cavalos clássicos e fundistas que são desprovidos de aceleração final. Esses indivíduos, no jargão do turfe são conhecidos por “sopeiros”, possuem uma só passada de corrida e quando vencedores, podem ser considerados como bons aproveitadores do ritmo imposto pelos adversários. Cavalos milheiros e velocistas desprovidos de aceleração final são simplesmente ligeiros e não velozes, os outros, apenas galopadores.

John Aiscan nos demonstrou que a aceleração final em cavalos de maior distância é sinônimo de vigor e que indivíduos dotados desse tipo de velocidade, são os exemplares com melhor constituição física dentro da raça. Alguns exemplos por ele fornecido para cavalos que suportavam distâncias longas com aceleração final são: Ribot, El Centauro, Sheshoon, Gallant Man, Neckar, Alycidon, Brantome e entre nós Waldmeister. Todos, além de terem sido vigorosos atletas equinos, se tornaram reprodutores de extremo sucesso, com seus filhos abordando uma grande gama de distâncias de forma eficaz. Indivíduos com mais stamina e aceleração final podem atuar bem sobre qualquer distância e gerar produtos de extrema flexibilidade corredora.




Nedawi.

Conseqüentemente, a antipatia que hoje se nota com os vencedores de 2400 metros e já conhecida para com stayers que cumprem suas funções na reprodução, principalmente quando dotados de aceleração final, não tem sentido, pois invariavelmente eles possuem mais vigor do que os velocistas, mesmo aqueles dotados de velocidade final.

O exemplo mais próximo de nós, que velocidade aliada a stamina é uma clássica fórmula para se obter sucesso com garanhões possui nome, NEDAWI. Notável semental a serviço do élevage nacional, um "distribuidor" de classicismo na mais pura acepção da palavra. Pai de 49 individuais ganhadores em provas de grupo, sendo 16 em G1, possuindo um índice de 6,21% em vencedores Black type, que o coloca no principal patamar dos reprodutores que já serviram no Brasil. 

Nedawi vencendo os 2.921 metros do St. Leger Stakes no muito bom tempo de 3:05.61.





Nessa prova Nedawi mostrou a forma clássica de correr dos grandes stayers, a de participar ativamente da corrida entre os primeiros, para arrematar o final em forte pointe de vitesse. A importação de Nedawi é devida ao saber do dr. Samir Abujamra, um dos grandes hipólogos que o turfe brasileiro produziu.


Dentre seus filhos podemos citar Didimo, GP Brasil, G1; Very Nice Moon, GP Immensity, G1; Generosidade, GP OSAF, G1; La Defense, GP Roberto e Nelson Seabra, G1; Right Idea, GP Diana, G1 ; Desejo Infinito, GP Henrique de Toledo Lara, G1; Parapatibum, GP Barão de Piracicaba, G1; Mr Nedawi, GP Paraná, G1; Fuco, GP Linneo de Paula Machado, G1, Core Business, GP Derby Paulista, G1, entre outros vencedores de provas de grupo.

Apesar de sua principal vitória ter sido em uma prova de fundo, Nedawi por se apresentar em corrida como um indivíduo dono de poderosa aceleração final foi capaz de produzir uma Ever Love, que venceu nos 1400 metros do GP Presidente Guilherme Ellis, G3; Cruzada Americana nos 1500 metros do GP João Cecílio Ferraz, G1; Quick As Ray nos 2000 metros do GP Diana, G1 e Faz de Conta nos 2400 metros do GP Zélia Peixoto de Castro, G1, isso ficando apenas em exemplos femininos. Os filhos de Nedawi venceram dos dois aos nove anos, dos 1000 aos 3200 metros, tanto na pista de grama como na de areia, o que evidencia de forma clara o vigor físico e a flexibilidade em distâncias transmitido por esse tipo de parelheiro. 

Há de se destacar que o melhor arenático brasileiro das últimas décadas Mr Nedawi também é seu filho. Mr Nedawi venceu por duas vezes o Dardo Rocha, 2400 m, G1-Arg e mais o Ramirez, 2400 m, G1-Ur, o que não é pouco feito.


Nedawi, confirma que a velha receita stamina com velocidade final é um dos caminhos para o sucesso na criação do PSI. As filhas de Nedawi podem ser comparadas ao mais fino diamante que se possa encontrar.




Nedawi no Haras Mondesir.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

My Cherie Amour



Foto: Gérson Martins.


My Cherie Amour, fam. 16-b, castanho, 2012, de criação e propriedade do Haras Doce Vale é um filho de Ay Caramba em Buy Me Love por Jules. Foi apresentado em 5 oportunidades, obtendo 4 vitórias e uma segunda colocação em sua estréia.

Seu pai, Ay Caramba, é um crioulo do Doce Vale e se apresentou como um bom cavalo de pistas, as vitórias no Grande Prêmio ABCPCC, G1, 1600 m; Oceanpot Stakes, G3-EUA, 1700 m e GP Costa Ferraz, G3, 1600 m foram seus mais expressivos resultados. Suas colocações em terceiro no River City Handicap, G3-EUA, 1800 metros e quarto no Shadwell Turf Mile, G1-EUA, 1600 metros também foram resultados a se destacar. Na reprodução, desponta como um garanhão de muito boa performance, apesar do baixo patrocínio que a criação nacional lhe impõe. Possui hoje 45 produtos em idade de corrida, dos quais 34 correram e 28 venceram, o que nos dá um impressionante índice de 74,59% de ganhadores e 8,83% entre vitórias e colocações Black Type. My Cherie Amour, GP Brasil, G1; I Scream, GP OSAF, G1; Ordinary Love, 2. GP Margarida Polak Lara, Orange Box, 3. GP Cruzeiro do Sul e GP Francisco Eduardo de Paula Machado; Oops, 5. GP Roger Guedon, G1 e Il Danzatore, 4. GP Frederico Lundgren, G3 são seus principais filhos.



Ay Caramba.

Jules, seu avô materno, em 11 apresentações conseguiu 4 vitórias e 4 colocações, mostrando-se precoce e veloz, aos dois anos venceu o Nashua Stakes, G3, 1600 m e se colocou em segundo nos G2 Remsen Stakes, 1800 m e Cowdin Stakes, 1200 m. A terceira mãe de Jules é a notável matriarca Natalma, mãe de Northern Dancer. Sua segunda mãe Raise The Standard gerou a clássica Coup de Folie que por sua vez produziu Machiavellian. Jules morreu precocemente, deixando entre nós apenas 4 gerações, mas, mesmo assim pode ser destacado como um garanhão de muito boa importância ao élevage nacional pois atingiu 9,5% em ganhadores Black-Type, sendo que 80,2% de seus filhos correram e 60,8% foram ganhadores. Em sua produção destacam-se os G1 Quick Road, Quatro Mares, Novellista, New Famous, Notificado e Must Be Flying, entre outros inúmeros G2 e G3.




Sua mãe Buy Me Love, também crioula do Doce Vale, em 5 apresentações obteve uma vitória e duas colocações, todas na esfera comum. Mas, seu maior destaque é enquanto reprodutora, pois, está se apresentando como uma mãe de muito bom mérito. Apesar da inegável qualidade de My Cherie Amour, Buy Me Love possui em No Regrets seu principal produto. No Regrets é a quinta pedra preciosa da tríplice-coroa de potrancas no Rio de Janeiro (GP Henrique Possolo, GP Diana e GP Zélia Gonzaga Peixoto de Castro), colocando seu nome junto ao seleto grupamento formado por Indian Chris, Virginie, Be Fair e Old Tune. Também podemos destacar Grapette Repete, GP Piratininga, G2, 2. GP Bento Gonçalves, G1 e GP Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, G3,  3. GP Francisco Eduardo de Paula Machado, G1 e GP Dezesseis de Julho, G2, mais a iniciante Ordinary Love, 2. GP Margarida Polak Lara, G1 e o “listed horse” Kijoliamour como filhos de interessante qualidade.



My Cherie Amour no GP Brasil - 2016. Wesley Cardoso up. Foto: Sylvio Rondinelli.

                                       
                                            Campanha

2 anos

2. Prêmio Orpheus – 1975, 1300 m, AM, Gávea,


3 anos

1. Prêmio Sisamo, 1400 m, AM, Gávea,



1. Prêmio Doctor Moore, 1500 m, GM, Gávea,



1. Prêmio Cligeuse, 1500 m, GM, Gávea,


1. Grande Prêmio Brasil, G1, 2400 m, GP, Gávea.




Obs. My Cherie Amour foi retirado do GP Doutor Frontin, G2, 2400 m, prova preparatória para o GP Brasil, por indocilidade no alinhamento.

Após vencer o GP Brasil foi convidado e enviado para os EUA como o representante do turfe brasileiro na importante Breeder's Cup Turf, G1-EUA. Entretanto, já na América, uma lesão no tendão o impediu de continuar sua campanha. Apesar de todo esforço despendido para sua recuperação ela se mostrou inviável, e ele foi retirado ao haras de seu criador para ser aproveitado na reprodução. 

My Cherie Amour, além de ter sido um corredor de primeira qualidade e possuir régio pedigree, é dono de um harmonioso tipo físico que lhe atribui uma beleza irretocável. O pedigree de sua avó materna, Feel So Good,  é uma pérola da criação nacional, linhagem preservada pelo importante e criterioso Haras Doce Vale. Consideramos o Doce Vale como o Haras Faxina dos tempos modernos, "indoor", pequena produção, excepcionais resultados e dono da filosofia ímpar de saber preservar suas linhagens, um exemplo de trabalho bem executado. Somos admiradores do Haras Doce Vale, e o consideramos como paradigma a ser seguido. 




A quarta mãe de My Cherie Amour é a craque Caelum, 4-3-0-1, GP Criação Nacional - Taça de Prata, G1 e GP Barão de Piracicaba, G1, em sua última corrida sofreu contratempos e foi retirada para reprodução. Outro aspecto importante a se destacar no pedigree de My Cherie Amour é a raríssima presença do fora de série Troyanos, considerado pelo expert Luiz Eduardo Lages, em sua listagem atualizada até 31/12/2000, como o 12 melhor cavalo nascido no Brasil. 



Temos plena convicção que My Cherie Amour reúne todos os predicados para se destacar na reprodução, desde que lhe sejam oferecidas justas e merecidas oportunidades. My Cherie Amour sempre apresentou estilo e classe de um grande vencedor. Para ele reiteramos o raciocínio: "Visível apenas para os que sabem aonde olhar!"

Obs. My Cherie Amour apresenta raro e interessante inbreeding 4 x 5 por via masculina sobre o chef-de-race Raise a Native, através de seus dois mais destacados filhos, Mr Prospector e Exclusive Native, ambos também chefs-de-race.