domingo, 3 de maio de 2026

Reprodutoras: o debate entre desempenho e pedigree.

 

A vencedora da Poule d'Essai des Pouliches Rouhiya com seu primeiro filho por Sea The Stars. Aga Khan Studs.


 

O debate entre desempenho e pedigree.

 

Foi realizado um estudo, cujos resultado foi publicado em outubro de 2023 na The Bloodhorse. Essa pesquisa examinou o sucesso a longo prazo de dois grupos de reprodutoras: aquelas com forte histórico de corridas, mas com linhagens maternas pouco expressivas, e aquelas com linhagens maternas fortes, mas sem boas colocações nas pistas. A ideia era isolar as duas variáveis ​​e tabular a produção ao longo do tempo.

Éguas com forte histórico de corridas e pertencentes a famílias maternas não consideradas como superiores superaram suas contrapartes em todas as categorias, incluindo vencedores de provas comuns, de provas clássicas, de provas de grupo e ganhos médios. Ou seja, os resultados favoreceram amplamente o desempenho em detrimento da família.

Estudos subsequentes foram realizados por diversos analistas e pesquisadores acadêmicos. Todos esses estudos replicaram as descobertas de 2003 e deram preferência ao desempenho em relação à linhagem. 

Mas, apesar dessas evidências, os defensores da importância das famílias materna alegam que as melhores éguas de corrida são preferencialmente enviadas para os melhores garanhões e que esses estudos não estabilizam essa variável.

Assim, numa tentativa de estabilizar a parte da equação referente aos garanhões, foi pesquisado os catálogos dos Leilões de Setembro de Keeneland de 2008 a 2010 e foram identificados pares de potros do mesmo garanhão, em que um potro era filho de uma égua com forte histórico de corridas, mas com uma linhagem materna fraca, e o outro era filho de uma égua sem colocações, mas com uma linhagem materna forte. Depois de separar cada potro em seu respectivo grupo de estudo, encontrou-se dois grupos com exatamente a mesma quantidade de poder paterno. Alegações de que um grupo era filho de um garanhão com poder paterno superior seriam neutralizadas neste cenário.

Para se qualificar para o grupo de desempenho, os potros de um ano tinham que ser filhos de éguas que tivessem conquistado prêmios de nível clássico ou mais de US$ 150.000 e não podiam ter nenhum outro registro de nível clássico (além do da mãe) em suas duas primeiras avós. Para se qualificar para o grupo de linhagem feminina, os potros de um ano tinham que ser filhos de éguas que não haviam se classificado e que possuíam registros de nível clássico em suas primeira e segunda avós. Potros de éguas com dois ou mais filhos competindo não foram utilizados, pois já haveria múltiplos indicadores da classe da égua como reprodutora.

Considere o cenário em que dois compradores voltam no tempo para o leilão de setembro de Keeneland. Um comprador precisa adquirir potros de éguas com pedigree ou ganhos superiores a US$ 150.000, mas nenhum outro pedigree pode existir nas duas primeiras gerações maternas do potro. O outro comprador precisa adquirir potros de éguas sem colocações, mas com pedigree tanto na primeira quanto na segunda geração materna. E, para fins dessa análise, cada potro adquirido tem um correspondente do mesmo pai no outro grupo.

Para garantir que não houvesse uma grande discrepância na qualidade/conformação dos indivíduos, emparelhamos apenas potros que estivessem dentro de um mesmo livro do catálogo. Por exemplo, não queríamos pares de potros em que um fosse do Livro 1 e o outro do Livro 5. No total, nosso estudo incluiu 172 potros (86 em cada grupo de estudo). Ao avançarmos no tempo e tabularmos os registros de corrida para cada grupo, obtivemos os seguintes resultados:




Os números são claros, especialmente quando se analisa a produção de cavalos de nível clássico, onde o grupo de linhagens femininas não conseguiu produzir um único cavalo com potencial para vencer provas desse nível.

Um equívoco comum é que não damos valor a uma linhagem materna forte. Presumimos que todos concordamos que, idealmente, nossas éguas reprodutoras devem ter um histórico de corridas sólido e uma linhagem materna forte. Mas, por razões econômicas, isso não é possível para a maioria dos participantes do mercado.

Assim, quando os fatores econômicos entram em jogo, temos que escolher de qual variável podemos prescindir. O que defendemos por meio de nossa pesquisa é que os investidores gastem menos recursos com a família feminina e mais com credenciais de corrida.

 

Obs.: Tradução e adaptação de artigo encontrado na internet sem citação de autor ou autores. Qualquer reconhecimento ao autor/autores do artigo base serão creditados após sua identificação.