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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A questão da endogamia no PSI




Tahiyra (442 kg), vencedora dos Irish 1000 Guineas (G1), Coronation Stakes (G1), Matron Stakes (G1) e Moyglare Stud Stakes (G1).



A endogamia é uma importante ferramenta no melhoramento genético dos animais domésticos e ela se dá quando o parentesco entre os pais é maior do que o parentesco médio da população, por consequência, determinadas combinações de pares de alelos acabam sendo fixadas, uma vez que há um aumento de indivíduos homozigotos. 

Mas, a exploração da homozigose como meio de fixação de características desejadas trás risco associado. Como existe um ou mais ancestrais comuns entre pai e mãe, os alelos que se pareiam na formação dos genes possuem alta chance de serem idênticos, permitindo a manifestação de boas ou más características, que podem ou não, estar se manifestando fenotipicamente nos pais.  

No cavalo doméstico está cientificamente demonstrado que animais com alta relação de parentesco (endogâmicos), possuem maior predisposição para perda de libido no caso dos garanhões, éguas com baixa taxa de ovulação e baixa habilidade materna, pouca capacidade adaptativa, perda de tamanho e fragilidades na estrutura corporal. Um dos aspectos adaptativos mais percebidos para ambientes fora do clima temperado é a pouca resistência ao calor.

A endogamia no PSI somente deve ser praticada quando pai e mãe possuem características de interesse comum, que estão confirmadas na descendência dos indivíduos alvos da consanguinidade e daí aumentar a probabilidade da fixação das características buscadas na prole. A consanguinidade deve ser praticada com muito critério, pois assim como mutações benéficas acontecem, mutações prejudiciais também podem se acumular no genoma. Devemos compreender que mutações também podem acontecer em pedigrees mais abertos, caso de Mr. Prospector (Teddy 4x5) e o gene mutante SNP Mr.P.

Em cruzamentos exogâmicos a busca é por pais com características comuns e convergentes que serão fixadas na prole por meio de suas combinações. Essas características devem estar bem fixadas e sendo transmitidas pelas linhas de ambos os pais.

No PSI o que mais acontece é que a utilização de endogamia se dá apenas pela repetição de nomes em um pedigree sem maiores considerações de tipologia funcional e morfologia, ou seja, não é considerada como a descendência dos veios de determinado ou determinados indivíduos apresentam seus fenótipos e se comportou funcionalmente nas pistas.

Um exemplo que pode servir como ilustração seria o de Danzig Connection, um Danzig de fundo sem as características de seu pai e Green Desert, um típico Danzig. A combinação tendo como alvo Danzig através da utilização de dois veios antagônicos em morfologia e funcionalidade, como os dois citados acima, torna-se tecnicamente absurda. 

Devemos considerar que a utilização da endogamia não deve ser praticada como um jogo de roleta russa, onde o fator determinante seja a sorte. Existem critérios conhecidos e que devem ser seguidos para que possamos minimizar a enorme possibilidade do insucesso.

Abaixo segue em TAHIYRA exemplo de como uma consanguinidade tendo Danzig como alvo deve ser desenhada quando se busca velocidade e classe. Maior análise desse cruzamento, por ser muito evidente considerando transmissão e tipologia funcional, deixamos aos nossos leitores a título de exercício.





     


Desejamos a todos um Feliz Natal e Próspero 2026.






sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Varola - Análise de tendências - 7ª parte





Lydia e Frederico Tesio.




(continuação)


A aplicação dos 50 nomes de garanhões chefes-de-raça às dosagens atualizadas dos animais clássicos perminitiu-nos verificar que, em média, um pedigree contém de 20 a 25 nomes de chefes-de-raça e que a sua distribuição ideal seria um diagrama de tipo 5-5-5-5-5 ou 4-4-4-4-4, indicativo de equilíbrio e de uma pluralidade de influências genéticas no próprio pedigree. Entretanto, este equilíbrio raramente é alcançado na prática e, em certos casos o número de 50 chefes-de-raça escolhidos para a dosagem não é suficiente para fornecer une retrato autêntico do indivíduo examinada, razão pela qual é necessário escolher outros nomes para completar o valor da unidade de medida usada.

Estes nomes acrescentados podem ser obtidas simplesmente juntando-se garanhões mais recentes à lista original, mas, mesmo assim, a dosagem não poderia ser calculada com equidade nos casos em que as fundamentais influências passadas não sejam oportunamente tomadas em consideração; consequentemente, a ampliação da lista deverá ser obtida em duas partes uma que compreenderá garanhões do passado que, por razões diversas, não foram integrados à lista original e outra que compreendera garanhões recentes ou, pelo menos, nascidos depois de 1940. O primeiro grupo em acréscimo compreenderá vinte e cinco nomes, dez dos quais serão dos assim chamados "pais de reprodutoras", um tipo que não foi considerado na lista original. O segundo grupo em acréscimo compreenderá também vinte e cinco nomes. Os acréscimos compreenderão, portanto, um total de cinquenta nomes que, adicionados aos  cinquenta chefes-de-raça originais, formarão um total geral de exatamente cem nomes, um limite além do qual a pesquisa se tornaria demasiadamente complexa. Por outro lado, o  desenvolvimento quantitativo das corridas e da criação no mundo, nos últimas vinte anos, foi de tal vulto que mesmo cinquenta nomes a acrescentar não serão muito difíceis de ser encontrados, porquanto devem abranger, com as devidas proporções, todos os países em que a criação foi suficientemente desenvolvida, de forma que a dosagem possa ser estudada sobre os pedigrees de qualquer proveniência. Quanto mais se amplia o campo da pesquisa » mais se encontram garanhões com credenciais quase idênticas. Minhas escolhas obedecem, por essa razão, e em vários casos, as diveras alternativas disponíveis.

Para exemplificar o problema de calcular a dosagem dos pedigrees com equidade, tomemos ao acaso Armistice, 1959, vencedor do Grand Príx de Paris. Ele tem quatro correntes de Phalaris, urna das quais através de Fairway, totalizando assim cinco pontos na seção brilhante, enquanto as presenÇas de outros chefes-de-raça são 14 (Rabelais, Blandford, Swynford, Solario, Gainborough, Bayardo 2x, Teddy, Son-in-Law, Dark Ronald, La Farina, Chaucer 2x e Sunstar) com um índice de consistência de 14.5 = 2,8, que parece insuficiente para caracterizar seu tipo. Porém, se concedêssemos pontos ulteriores a seu pai Worden, a seu avô WiId Risk, a seu avô materno Vandale e entre seus outros antecessores, a Bruleur e Sardanapale, todos nomes muito importantes, alcançaríamos urna proporção de 5 a 19, com um índice de consistência de 3,8, que estaria evidentemente mais próximo da realidade.

Este ajuste do índice por meio do uso de nomes adicionais torna-se necessário também a todos os pedigrees que contêm o nome de Tourbillon. Este é o único garanhão de sua linha compreendido entre os 50 garanhões chefes-de-raça originais, enquanto as outras linhas contam com três ou quatro nomes consecutivos (ex.: Phalaris Pharos - Nearco - Nasrullah, ou Swynford - Blandford - Bienheim),com o resultado de que pedigrees fortemente baseados em Tourbillon, que são encontrados com frequência, especialmente na França, não são facilmente interpretáveis em termos de dosagem, porquanto o próprio Tourbillon compreende o nome de um único outro reprodutor da série original (Rabelais) em seu pedigree razão pela qual um cavalo inbreed sobre Tourbillon possui apenas quatro nomes elegíveis, que não são suficientes para caracterizar um inbreeding deste tipo.

Esta estirpe não é somente básica da criação francesa, mas adquiriu prestígio mundial, razão pela qual será preciso encontrar nomes adicionais para individualizá-la claramente. Um destes nomes será, naturalmente, Djebel, que em termos genealógicos é o mais importante e o mais geograficamente difundido de todos os filhos de Tourbillon, um outro nome nome deverá ser escolhido entre o pai de Tourbillon, Ksar, e o avô, Bruleur. Não só Bruleur compreende uma porção mais ampla de população equina do que Ksar, mas é também o mais importante dos dois em termos absolutos; com  efeito, pode-se afirmar que Bruleur seria, históricamente, um reprodutor importante, ainda que Ksar jamais tivesse existido, enquanto é improvável que Ksar fosse hoje um elemento importante não fosse por Tourbilion. Existe porém uma marcante diferença entre Bruleur, Tourbillon e DjebeI: o primeiro pode ser considerado um fator de reforço no        pedigree, e, portanto, deverá ser classificado entre os robustos, enquanto Tourbillon pertence ao grupo clássico e Djebel, por sua vez, deverá ser colocado no grupo dos intermediários, embora também fosse apropriada sua classificação entre os brilhantes.

Traduzindo em termos práticos o que foi dito acima, o pedigree do garanhão Hugh Lupus teria, com a lista restrita, apenas seis nomes elegíveis (Tourbilion 2x, Rabelais 2x, Bayardo, Teddy), enquanto uma lista ampliada eleva estes nomes a 10 (mais Bruleur 2x e Djebel), fornecendo assim um quadro mais completo e especialmente util quando se compara a dosagem da reprodutora a ser enviada à cobertura com o garanhão.

Ajustes análogos serão necessários no que diz respeito aos vários ramos de St. Simon, que voltaram ao auge nos últimos anos. Só o de Chaucer estava bem representado na lista original, com o próprio Chaucer, Vatout e Bois Roussel e, no máximo, poder-se-á acrescentar Vatellor, cuja inclusão, aliás, me foi solicitada por vários correspondentes, mas é importante reexaminar os três ramos de Rabelais, Persimmon e Florizel lI.

Rabelais é também representado por Havresac II, mas a extraordinária sequência que tem origem neste ultimo dá motivo a que não se possa ignorar Tenerani e Ribot, e também Traghetto, que foi o mais importante expoente de Cavaliere d'Arpino na raça. Além disso, o ramo de Rabelais para Rialto também deve ser considerado por mérito de Wild Risk e Worden. A linhagem de Persimmon, era representada na origem por Prince Rose, mas os descendentes de Prince Rose estabeleceram um domínio clássico tão forte nos últimos anos que deverão ser incluídos na lista e é difícil escolher entre Prince Chevalier, Prince Bio, Sicambre e Princequillo, que possuem credenciais impressionantes na Inglaterra, França, Estados Unidos e alhures.

A linha de FlorizeI II só é importante em função de Massine e de seu filho Mieuxcé, mas em um panorama global de 100 garanhões nem um nem outro pode ser ignorado. Massine é um poderoso fator de robustez na criação francesa, enquanto Mieuxcé alcançou uma posiçao de proeminência através de suas filhas. Surge aqui o problema dos "pais de reprodutoras", que não foram considerados na lista original. Garanhões como Bachelor's Double e Clarissimus adquiriram fama eterna exclusivamente através do êxito de suas filhas e é extraordinário que suas influências positivas nos pedigrees sejam ainda sentidas, porquanto remontam, respectivamente, a cerca de sessenta e cinquenta anos atrás. Entretanto, no pedigree do "derby-winner" italiano Braccio da Montone o nome de Clarissimus surge, não além da terceira geração, como pai da avó do vencedor Bayuk. Na América do Norte há vários nomes de pais de reprodutoras a serem considerados seriamente, dos quais os mais ilustres são Sir Gallahad III, War Admiral e Mahmoud.

Além disso, não se pode desprezar Navarro, que, como pai de reprodutoras, só cede o primeiro lugar a Ortello no turfe italiano contemporâneo a talvez como índice qualitativo é mesmo superior ao próprio Ortello. Com exceção de Bachelor's Double, que eu colocaria no grupo dos robustos, sou levado a classificar todos os outros no grupo clássico, pela absoluta excelência de sua contribuição genealógica.

Incidentalmente, apresentam-se duas interessantes observações. Uma é que os garanhões norte-americanos, que muito raramente são elegíveis para o grupo clássico como pais de vencedores, são, ao contrário, representados "ad abundantiam" no mesmo grupo clássico como pais de reprodutoras. Esta com efeito, é uma das peculiaridades das estatísticas norte-americanas. Sua lista de pais de vencedores lamentavelmente é condicionada a distância média de suas corridas, mais a lista de pais de reprodutoras da lugar nas primeiras posições apenas aos cavalos de primeirissimo plano e de indubitável qualidade clássica. A segunda observação é que, ao contrário, os garanhões francêses, que se  sobressaíram como pais de grandes vencedores nestes ultimos anos, não parecem contar com nenhum expoente importante entre os pais de reprodutoras, com exceção de Sardanapale e Massine, que, porém, pertencem ao passado, e de Mieuxcé, que, todavia emergiu nesta especialidade na  Inglaterra. lsto não implica em que sejam menos eficientes do que outros neste setor particular, mas antes que seu êxito como pais de vencedores foi de tal forma grande que não têm necessidade de ser qualificados especificamente como pais de reprodutoras.

O setor pais de reprodutoras não estaria completo sem Foxbridge, fator básico do desenvolvimento na criação da Austrália e da Nova Zelândia, cuja presença permitirá uma leitura mais cuidadosa dos pedigrees daquela parte do mundo. Da mesma forma, o já lembrado Sardanapale deverá ser incluído em consequência de sua presença intensiva e constante nos pedigrees clássicos, não obstante o transcurso de mais de cinquenta aros de seu nascimento. SardanapaIe pertence a uma linha excêntrica, que de outra forma não seria representada na lista, e seu único produto de grande valor  nas pistas foi Apelle, que, por sua vez, se tornou um nome obrigatório através de Tofanella e dos descendentes desta, Tenerani e Ribot. A influência de Apelle, que foi considerado um cavalo de grande robustez, capaz de suportar qualquer "training", é nitidamente perceptível na síndroma de seus      descendentes, através das grandes reprodutoras Tofanella, Tokamura e Trevisane, mas, além disso, Sardanapale aparece frequentemcnte nas seções inferiores dos pedligrees franceses.

Entre os cavalos do passado que conferem mérito particular a um pedigree e que agora devo levar em conta afim de preencher as lacunas da seleção original, já mencionei Djebel e Bruleur e agora devo examinar Sir Cosmo, Colorado, Equipoise e Man O'War, todos nascidos antes de 1930. Sir Cosmo demonstrou saber exercer uma influência muito mais profunda do que se poderia deduzir de sua sindroma exclusivamente brilhante e aparece frequentemente na seção inferior de muitos indivíduos importantes recentes, sem contar que é avô materno do ex-campeão mundial de somas ganhas, Round Table, por sua vez reprodutor de futuro. Além disso, vale para Sir Cosmo, ao contrario, o que foi dito a respeito de Tourbillon e Bruleur no caso de Armistice, ou seja, quando examinamos um pedigree de um velocista inglês desta linha dispomos apenas do nome de Panorama como contribuição para um índice de consistência realístico, mas o acréscimo de Sir Cosmo no setor brilhante permite naturalmente uma avaliação melhor. Pode-se, portanto, afirmar  que em um pedigree tendencialmente de velocidade pura, a presença de Sir Cosmo equilibra a dosagem, enquanto em um pedigree tendencialmente clássico ou robusto, sua presença fornece aquela pitada de brio que é sempre indispensável e desejável.

Colorado foi rapidamente esquecido em sua época porque não chegou sequer a completar sua segunda temporada de monta; entretanto, nenhum reprodutor jamais foi capaz de gerar tantos cavalas qualitativos e importantes em um período de tempo tão restrito. Todos os seus filhos e filhas voltaram agora ao cenário, especialmente nas seções inferiores dos pedigrees ingleses, com possibilidades de ulterior  desenvolvimento em vários países europeus e americanos. Quanto a Man O'War, ele se tornou em fator por assim dizer obrigatório nos pedigrees dos Estudos Unidos e nem deveria ser preciso comentá-lo, mas poder-se-ia objetar que sua linha já é suficientemente representada por seu pai Fair Play, membro do grupo originário, e por seu melhor filho, War Admiral, ora eleito entre os pais de reprodutoras. Porém, a importancia desta linha cresce com os anos em lugar de diminuir, razão pela qual creio que a inclusão dos três nomes é justa. Entre os produtos importantes nascidos depois de 1930 e antes de 1940, merecem menção especial Brantôme e Bahram, ambos filhos de Blandford e cavalos de corrida de primeiríssima ordem. Sua avaliação exata foi impossível antes de agora, porquanto Bahram funcionou em vários países com sucessos alternados e Brantôme também foi transferido durante a guerra, razão pela qual não se lhe deu grande    importancia até uma época muito recente, havendo aliás a tendência de considerá-los genealogicamente modestos, mas com o passar dos anos a situação modificou-se completamente. Aprecia-se hoje em seu justo valor o trio deixado por Bahram na Europa: Persian Gulf, Turkhan e Big Game, para não falar em outros bons elementos além-mar, enquanto Brantôme, além do êxito de suas filhas na reprodução reprodutoras, estabeleceu através de Vieux Manoir uma fonte aparentemente inesgotável de vencedores clássicos.

Acrescentando aos nomes propostas o anglo-americano  Heliópolis e o anglo-argentino British Empire no setor          brilhante, o anglo-argentino Full Sail e os norte-americanos Eight Thirty e Roman no setor intermediário e o norte-americano Alibhai no setor clássico, temos os 25 nomes adicionais do passado que nos seriam uteis. Futuramente, será útil ver quais poderiam ser os 25 nomes recentes. ou sejam, nascidos depois de 1940, necessários para completar a lista final dos cem garanhões mais importantes do século.


                                           Fim


Franco Varola


Tradução: Ricardo Imbassahy






quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Varola - Análise de tendências - 6ª parte

 




(continuação)


O fenômeno do brilhantismo iniciou-se em escala mundial  com Phalaris, prosseguindo com Hyperion e Nearco. É um fenômeno típico do século XX. Não que anteriormente não tivesse havido cavalos especializados em velocidade, mas eram limitados em sua tarefa e não ascendiam a símbolos da raça. Na série de Vuillier, de fato, não encontramos nenhum cavalo especificamente brilhante, enquanto em qualquer série de chefes-de-raça do século XX não podem ser omitidos os nomes de Phalaris, Orby, Cicero e assim por diante até Fair Trial, Nearco e Nasrullah. A ascendência de alguns reprodutores brilhantes a ponto de chegarem a representar símbolos da raça está intimamente ligada à popularização do espetáculo hípico e, por esta razão, comparei os vários grupos de chefes-de-raça com o hemiciclo formado pelos parlamentares e coloquei os brilhantes como sendo da  extrema esquerda e os stayers mais os profissionais como da extrema direita. A evolução da competições hípicas, de passatempo de particulares para espetáculo destinado às massas, foi o que fez oscilar o pêndulo da direita para a esquerda, fenômeno idêntico observado no que diz respeito ao desenvolvimento geral da raça puro-sangue.

Já vimos que o flagelo da Inglaterra é o excesso de Phalaris, o excesso de Hyperion, o excesso de Orby e o excesso de Cícero e que a França, ao contrário, está quase  completamente livre destes sangues, podendo criar pedigrees até mesmo 100% isentos de brilhantismo. A posição da Itália é intermediária; aproxima-se mais dos índices do tipo francês do que aos do tipo inglês, embora a importação de sangue clássico inglês sempre tenha sido intensa, especialmente por intermédio das coberturas. Mas a Itália sempre teve uma apresentação genealógica característica, tocando-lhe a sorte de poder contar com importantes matriarcas, tais como Fausta e Catnip, ambas filhas de Spearniint; de absorver Tracery através de Nera di Bicci, Talma, Barbara Burrini e Ulrika Eleonora, de absorver Hurry On através de Nesiotes, Nuvolona, Athea, Captain Cuttle, Pilade e Niccolo DeIl'Arca e de ter Havresac II e Ortello como garanhões predominantes pelo período de vinte anos.

Um dos paradoxos da criação italiana no período entre as duas guerras foi, com efeito, que ela se valorizou além das fronteiras por influência dos produtos de Dormello, mas esta recebeu sua força básica dos garanhões da Razza Ticino em Gornate: Havresac II e Ortello.

O primeiro era estreitamente inbred sobre RabeIais e isento de elementos brilhantes no seu «pedigree», enquanto o segundo, além de filho de Teddy, era inbred sobre Hampton, protótipo da solides e era ainda portador de uma corrente de Rabelais. Nearco não funcionou na Itália. Hyperion jamais esteve presente em doses maçicas na Itália, mesmo porque se desenvolveu no período bélico, quando estavam  interrompidas as comunicações com a Inglaterra. Dos poucos "Fairway" italianos, Ettore Tito foi exportado ainda em tenra idade. Frederico Tesio sempre procurou os  garanhões clássicos na Inglaterra, jamais cultivou os velocistas e, embora os tenha utilizado, não foram estes os que lhe deram garanhões e reprodutoras importantes. Aliás, jamais houve na Itália um rico programa de provas para os velocistas.

Com justa razão, a revista "Turf y Elevage Sudamericano" pode registrar em um de seus números: "... consideramos que hay que ser cautor en eI empleo de los padrillos sprinter... Consideramos que los italianos son los que han sabido evitar esta moda perniciosa ... ". Nota-se que este elogio dirige-se especificamente à criação italiana e não a outras que também estão igualmente isentas do perigo dos sprinters.

Colocando no índice 4 a relação mínima entre sangues brilhantes e sangues consistentes, para alcançar as distâncias clássicas, notamos que todos os maiores vencedores italianos estão muito além desse índice. Citando ao acaso, temos: 

a) com índice 4 e 1/2, Ribot, Bragozzo e Antelami; 

b) com índice 5 e 1/2, Toulouse Lautrec; 

c) com índice 6, Traghetto, Molvedo, Scai e Malhoa; 

d) com índice 7, Tissot; 

e) com índice 8, Antonio Canale; 

f) com índice 14, Braque; 

g) com índice 16, Alipio, e assim por diante, 

isso usando para o cálculo apenas os 50 garanhões chefes-de-raça suplementares que brevemente apresentarei, os índices seriam ainda mais altos. E as fêmeas clássicas italianas apresentam em geral índices não menos altos que os dos machos. Por exemplo, o de AIibeIIa é 6, o de Bronzina é 8, etc.

Se, portanto, o problema italiano fosse apenas o  de obter dosagens suficientes, já estaria resolvido e os criadores italianos poderiam dormir tranquilos. Mas, além do fato de que na criação de cavalos não é possível adotar tão cômoda posição, existem pelo menos três observações importantes a serem feitas, que atenuam em parte o otimismo das dosagens.

1ª -  As dosagens acima citadas são avaliadas posteriori, enquanto a grande utilidade da dosagem é a de permitir uma avaliação a priori. O criador pode determinar, antecipadamente, embora por ampla aproximação, as características da produção que deseja obter. É um trabalho a longo prazo que, uma vez iniciado, deve ser mantido de ano para ano e também por gerações sucessivas, a fim de obter resultados apreciáveis. A utilização das dosagens somente a posteriori pode servir, é verdade, como sinal de alarme; mas, considerando-se o ciclo um tanto longo das operações de criação, corre-se o risco de receber o alarme quando já é tarde demais para tomar providências. Portanto, as dosagens deveriam servir tanto ao estudioso, que as pode apreciar somente a posteriori, quanto ao criador, que é o único em condições de poder servir-se delas «a priori».

2ª - Os bons índices de consistência observados nos expoentes clássicos italianos não nos devem enganar, porquanto o índice é apenas o resultado sintético da dosagem, mas esta exprime-se antes de tudo e  principalmente pelo diagrama. Um diagrama ideal é 5-5-5-5-5 e, com relação a este ideal, o pedigree médio italiano apresenta pelo menos dois desajustes bastante graves: um no setor brilhante e outro no setor robusto.

No setor brilhante, a ausência é frequentemente exagerada até à inexistência. Em outras palavras, o índice não é obtido por relações tipo 25:5 ou 20:4, etc., mas por relações em que o dividendo se encontra contra um divisor 1 ou um divisor zero. Por exemplo, Braque é índice 14 porque este é o produto da divisão 14:1 e, da mesma forma, Sedan 12:0, Antonio Canale 8:0, Toulouse Lautrec 11:2, Bonnard 8:2, Bragozzo 9:2, Ribot 9:2, etc. Isto é, os expoentes clássicos não possuem em geral mais de um ou dois nomes brilhantes no pedigree e, com frequência, não possuem nem mesmo um. E verdade que é preciso controlar a influência brilhante para evitar que ela venha a predominar em detrimento de outras qualidades, mas também é verdade que não é possível prescindir totalmente da contribuição brilhante para fazer progredir a raça. Pode-se, portanto, afirmar que a criação italiana evitou os prejuízos do brilhantismo de tipo inglês, mas ao preço de não poder infundir em seus produtos a dose que em cada caso seria desejável. O mesmo pode-se dizer, ao contrário, com relação aos nomes robustos. Há um excesso destes e é comum no pedigree italiano a distribuição, por exemplo, 2-4-4-8-4, na qual como se vê, o índice de consistência 20:2 = 10 é obtido não só a custa da escassez de nomes brilhantes, mas também graças à exagerada presença de nomes robustos. Estes últimos são apreciados, mas sua superabundância pode dar origem a uma certa vulgaridade que pesa quando, por exemplo, um garanhão italiano se encontra em atividade no Exterior, em um ambiente de qualidade difusa média. Portanto, também a abundâncIa de Spearmint e de Rabelais, que se encontra na criação italiana, foi a que  a salvou da inconsistência, mas pode, caso seja demasiado acentuada, criar uma monotonia genética que, a longo prazo, se reflete na qualidade média.

Como prova do que acima foi dito, apresento o seguintes dados relativos a diversos garanhões italianos vivos,  escolhidos entre os de nível médio e, portanto, típicos:

Índice de consistência

Morengo ......................17

Seaulieu ......................16

Verdun .........................13

Iroquois ....................... 11

Songkoi ....................... 8 1/2

Este ............................  8

Barda Toni...................  7

Golfo ........................... 7

Nakamuro.................... 7

Fiorilio ........................  6

Scai ............................ 6

Alniorú .......................  4

Arísteo .......................  4

Tais índices correspondem aos seguintes diagramas:

Morengo...................... 0-2-3-9-3

Seaulieu ......................1-3-2-9-2

Verdum ....................... 0-0-3-8-2

Iroquois ....................... 1-2-3-4-2

Songkoi ....................... 2-2-2-9-4

Este.............................. 0-1-0-7-0

Barba Toni ................... 2-2-3-6-3

Golfo.............................1-1-0-6-0

Nakamuro.....................1-2-1-3-1

Fiorilio...........................1-1-2-2-1

Scai ..............................1-1-1-2-2

Alinoró ..........................1-2-0-2-0

Aristeo ..........................1-0-0-4-0


Somando-se os vários grupos, nota-se que as presenças do setor robusto (71) são mais numerosas que as dos outros quatro setores reunidos e que as presenças do setor brilhante (12) são inferiores às de qualquer outro setor (intermediários  20, clássicos 19 e profissionais 20).

3ª -  As duas observações precedentes levam inevitavelmente à terceira: o velocismo na Itália é quase inexistente. Quem desejar, criar velocistas fá-lo-á por sua própria conta e risco, porquanto nos programas não existem prêmios adequados a tal especialidade. Esta ausência de especialização evita o perigo do brilhantismo, mas, repetimos, levada ao excesso, evita também a introdução na criação da porcentagem justa de sangue veloz, necessária à evolução natural. O defeito dos pedigrees italianos é o de serem demasiado pobres em sangues nobres, não obstante as notáveis importações de reprodutoras e de coberturas.

Uma primeira providência poderia ser a de instituir uma grande prova nacional de milha, precedida e contornada por outras provas adequadas. Se isso chegasse a diminuir alguns dos inumeráveis grandes prêmios que atulham os programas, o mal não seria tão grave e a vantagem a longo prazo constituiria uma compensação mais do que adequada.


(continua)





segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Varola - Análise de tendências - 5ª parte

 


The Tetrarch (by Clarence Hailey), cópia sem edição da foto original.






(continuação)


A grande lacuna de todos os estudos realizados sobre pedigrees e sobre as linhas de sangue - consistem eles na classificação por famílias, segundo Bruce Lowe, o índice de vitórias médias segundo estes, as dosagens de Vuillier ou índice das distâncias segundo a "Throughbred Breeder's Association" é dar indicações a posteriori e não a priori. Na atualização das dosagens de Vuillier, que estou tentando realizar, proponho-me adotar, entre outras coisas, uma nomenclatura que permita dar um pequeno, mas importante passo à frente em direção do conhecimento a priori do resultado do cruzamento. Anteriormente, afirmei que se examinarmos o puro-sangue em seu complexo como uma população, com todas as suas manifestações psicológicas e sociológicas, distinguiremos, como primeira consequência urna divisão em grupos que, para ser prático e breve, reduzi a cinco, chamados, respectivamente, brilhante, intermediário, clássico, robusto e profissional.

Não foi por acaso que estes cinco adjetivos substantivos foram expostos precisamente nesta ordem; com efeito, se modificássemos tal disposição, perderíamos todo o resultado da pesquisa. Estas cinco palavras devem de fato ser, interpretadas no mesmo sentido em que se interpretam os grupos de deputados sentados no hemiciclo parlamentar, isto é, da extrema esquerda à extrema direita, passando pelo centro. Em outras palavras, a população do puro-sangue contém, justamente como a humana, seus revolucionários, seus progressistas, seus moderados, seus radicais e seus reacionários.

Posto o raciocínio nestes termos, poderá parecer um contra- senso que eu tenha, por exemplo, classificado Phalaris, Nearco e Hyperion entre os brilhantes, que seriam, afinal, os revolucionários, mas na realidade a definição tem fundamento, porquanto eles são os principais responsáveis pela revolução nas posições do predomínio inglês em favor da França; são indivíduos brilhantíssimos, com grandes capacidades transmissoras, mas jamais se pode contar com seus descendentes típicos para enfrentar provas realmente severas, nas quais, ao contrário, já há muitos anos, vêm triunfando os vários descendentes de Teddy, Rabelais ou Vatellor, que os franceses sabem produzir em fluxo permanente. Estes últimos, na linguagem por mim proposta, pertencem à centro-direita, ou seja, ao grupo dos radicais (geralmente, nas discussões políticas, consideram-se os radicais como homens de esquerda, mas é uma ilusão).

Analogamente, um Son-in-Law, um Hurry On, um  Precipitation, um Alycidon, trazem em si as características de um extremo conservantismo, porquanto, não conseguem, a não ser rara e esporadicamente, escapar ao esquema rígido e bem definido, que os faz protagonistas de determinadas provas em determinadas distâncias, como é demonstrado pelo fato de que, só em 1963 no Derby Italiano foi inscrito entre seus vencedores o nome de um descendente de Son-in-Law, chamado Braccio da Montone, gerado, contudo, por um garanhão francês Vandale, no qual as primigênias qualidades de solidez a toda prova combinaram-se com o ecletismo francês.

O mesmo acontece com os dois grupos dos intermediários e dos clássicos, que correspondem à centro-esquerda e ao centro, ou seja, aos progressistas e aos moderados. Quantas vezes não se falou da diferença entre os dois irmãos próprios Fairway e Pharos?

Pois bem, Fairway é um revolucionário um tanto perigoso, enquanto Pharos é simplesmente um progressista de notáveis qualidades individuais. O uso de Fairway reserva sempre surpresas amargas; de Blue Peter, que serviu principalmente para produzir modelos magníficos de cavalos de montaria, Tesio soube extrair Botticelli, que porém era um cavalo bem difícil de ser utilizado, e de Botticelli nasceu Antelami, que naufragou no St. Leger de Doncaster de uma maneira que nem sequer conseguimos imaginar pudesse acontecer com um Ribot ou um Tenerani.

Ao contrário, quem usa Pharos, sabe que pode contar com um certo resultado mínimo garantido e algumas vezes tem a agradável surpresa de ver superado esse mínimo. Assim, o uso de Bozzetto, Signal Light, Brueghel, etc., produziu resultados animadores nos mais diversos ambientes e até mesmo de El Greco, que, em termos imediatos, foi um malogro devido à sua fragilidade intrínseca, mas que mereceu uma reprodutora que deu origem a Ribot, que foi muito além da expectativa.

No centro de nosso alinhamento, encontramos justamente os clássicos, ou seja, os que realizam o perfeito equilíbrio, que, como todos sabem, é coisa muito rara e de fato, durante todo este século, pouquíssimos produtos pertencentes a um número de estirpes ainda mais restrito conseguiram elevar-se a este cobiçado pedestal: 

1) Swynford, Blandford, Blenheim; 

2) Rock Sand,Tracery;

3) Gainsborough; 

4) Tourbillon; 

5) Count Fleet;

6) Bull Lea; 

7) Prince Rose;

e isto no que diz respeito aos únicos chefes-de-raça por mim considerados como tais e prejudicar as atualizações que estou preparando.

Mas, como o hemiciclo parlamentar e a própria sociedade não poderiam viver apenas de expoentes de centro, também o puro-sangue não poderia viver apenas de sumidades  clássicas. Um produto com pedigree inteiramente baseado cm Blandford ou em Gainsborough seria talvez uma perfeita peça de museu, aias faltar-lhe-ia ainda algo para ser realmente vivo. Este "algo" deve provir da colaboração de todos os grupos genealógicos e, por esta razão, ouso esperar que a escolha de um número suficiente de chefes-de-raça, por dosagens, expoentes dos cinco grupos, possa servir para individualizar com precisão maior, a priori, o tipo de cavalo que se deseja produzir. Com isto não pretendo dizer que a dosagem em si e por si permite conhecer por antecipação se o resultado será um derby-winner ou um handicapper, mas apenas que a dosagem, observada e aplicada em muito tempo dentro dos limite da lógica e do bom senso, deverá, necessariamente, aproximar de tudo o que foi precedentente programado, segundo as intenções e necessidades do criador.

É verdade que este resultado também pode ser observado empiricamente, pelos criadores que cruzam suas reprodutoras com "o que há de melhor ao mercado", porém, corre-se o risco de seguir demais a moda e a moda faz brincadeiras de mal gosto na criação do puro-sangue porque, como tem sido fartamente demonstrado, pode fazer que o concorrente estrangeiro vença importantes provas das competições internacionais nas quais a derrota do país hóspede não é representada pelos milhões do prêmio que vão para o exterior, mas pelo incremento do valor do mercado dos produtos do país convidado, que significa uma automática perda de possibilidades por parte do pais hóspede no sentido de fazer valer os mesmos preços no exterior no mesmo momento, considerando a enorme diferença de valor do mercado existente em qualquer momento e o pais entre o primeiro e o segundo colocador em unia grande prova internacional.

Tomemos, como exemplo, o pedigree de uma potranca de êxito, Claudia Lorenese. Nele encontramos 30 chefes-de-raça, entre os quais 5 brilhantes (Cicero, Phalaris 2x, Nearco, Hyperion), 6 intermediários (Havresac II 4x, Pharos, The Tetrarch), 3 clássicos (Gainsborough, Blandford, Swynford), 13 robustos (Rabelais 5x, Spearmint 4x, Chaucer 2x, Sunstar, Teddy), e 3 profissionais (Hurry On 2x, Rayardo). O diagrama de Claudia Lorenese, portanto, é 5-6-3-13-3, ou seja, um pedigree robustamente assentado sobre as meias atas e, entre estas, com predomínio esmagador da centro-direita, isto é, presumivelmente, da tenacidade, da duração, do fundo. As alas, entretanto, vêm a ser um tanto fracas e, principalmente, o centro é fraco. Uma dosagem ideal, com efeito, seria 5-5-5-5-5 e, embora esta fórmula seja teórica e dificilmente realizável, contudo, com cruzamentos oportunos e sucessivos, seria possível chegar a uma aproximação e, cai todo caso, a um equilíbrio entre as cinco partes componentes.

O índice de consistência de Claudia Lorenese é de 5 : 5 = 5, isto é, mais do que suficiente pala uma campanha plenamente satisfatória, especialmente tratando-se de unia fêmea. Convém notar que todas estas considerações poderiam ser feitas no momento de decidir o cruzamento entre os pais de Claudia Lorenese: Tissot e Torre Paola.Não há, portanto, nenhum critério a posteriori, mas si uma avaliação a priori das consequências possíveis prováveis do próprio cruzamento. E mais: este exame a priori indica que, dos 30 chefes-de-raça da contagem, apenas 8 são trazidos pelo pai Tissot e cerca de 22 pela mãe Torre Paola.

A tendência à centro-direita existe, portanto, na reprodutora e pretendeu-se corrigi-la restabelecendo um certo equilíbrio clássico mediante o cruzamento com Tissot. Com efeito, se examinarmos o pedigree de Torre Paola do ponto de vista convencional, leremos a confirmação, por assim dizer, organológica: Star of Gujrath e Ninfa, de Cola D'Amatrice e Paranzelia, de Isso e Nacline, de Nesiotes e Naushon, de Burne Jones.

Os nomes da sequência Cola D'Amatrice-Isso-Nesiotes-Burne Jones são justamente elementos de centro-direita; nenhum deles é, individualmente, um garanhão chefe-de-raça, mas todos são portadores de características utilitárias. Acontece, porém, que Tissot, em têrmos genealógicos, é portador de elementos mais sólidos do que clássicos: de fato, seu diagrama é 1-2-0-4-1, isto é, também mais forte nas meias alas do que no centro, faltando-lhe, aliás, elementos clássicos e residindo sua força justamente no fato de que pode constituir um válido outcross com todas as reprodutoras já saturadas de elementos clássicos.

Pode-se supor, portanto, que ambos os partners deste cruzamento possam obter resultados ainda mais brilhantes, conjugando-se, respectivamente, unia reprodutora e um garanhão de características mais marcadamente clássicas. Mas este resultado será alcançado da mesma forma estudando-se um cruzamento adequado para Claudia Lorenese. Nesse caso, pode-se escolher um garanhão mais forte no centro do que nas alas e o resultado do cruzamento será um produto com um diagrama mais equilibrado e, ao mesmo tempo, com uma grande riqueza de presenças de chefe-de-raça.

Este processo é estranhamente simples e praticável por quem quer que seja com a máxima facilidade, mas, ao mesmo tempo, deixa certa margem à apreciações individuais, evitando o mecanismo excessivo de certos cálculos baseados na distância média dos pais e antepassados e que pretendem especificar quanto fundo, quanto meio-fundo ou quanta velocidade terá um cavalo em termos de metros ou jardas. Em sua base, naturalmente, existe o pressuposto de que a divisão dos chefes-de-raça em cinco grupos seja fundamentalmente exata e que os indivíduos escolhidos para formar os grupos sejam os corretos. Como se trata de uma escolha sugerida por um critério puramente pessoal, não é infalível, mas nada impede que cada criador, preocupado com o futuro de seu negócio, forme uma tabela pessoal, que poderá divergir da minha em escala maior ou menor.

Ao mesmo tempo, quero repetir que minha escolha de garanhões chefes-de-raça segue um critério critico e não estatístico e que nunca perdi de vista a noção de que o estudo do produto em si é mais importante do que o estudo de qualquer linha hipotética ou sucessão dinástica que, em termos gerais, com frequência é mais uma ilusão do que uma realidade. Com efeito, pode-se notar que pai e filho pertencem muitas vezes a grupos diversos: Swynford, Blandford e Blenheim são todos considerados clássicos, mas Alycidon encontra-se no grupo dos profissionais. Teddy acha-se entre os robustos, mas Bull Lea está entre os clássicos. Bayardo está entre os profissionais, mas seu filho Gainsborough está entre os clássicos e o filho deste, Hyperion, entre os brilhantes. Da mesma forma, o brilhante Nearco é filho do intermediário Pharos e da reprodutora, Nogara, filha do intermediário Havresac II, e, se no futuro for preciso acrescentar outros nomes à lista, provavelmente o filho de Nearco, Mossborough, merecerá um lugar entre os clássicos. Não existe, portanto, direitos divinos em minha lista, mas um exame individual que, todavia, necessita uma atualização constante. Estes instrumentos de medida exigem, com efeito, uma reavaliação continua e por essa razão a escolha de nomes suplementares impõe-se desde já, como espero apresentar no próximo capítulo.


(continua)





quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Varola - Análise de tendências - 4ª parte



Match, um típico exemplo de pedigree 100% consistente.


(continuação)


No capítulo precedente deste estudo apresentei uma divisão de 50 garanhões chefes-de-raça em cinco grupos de tendências, chamados, respectivamente, brilhante (brilliant), intermediários (intermediate), clássico (classic), robusto (slout) e profissional (professional). Proponho-me agora a submeter esta classificação baseada em impressão e critério pessoais, a uma verificação, embora empírica, examinando um número suficiente de pedigrees contemporâneos, escolhidos à luz de critérios que mais adiante serão apresentados. Todavia, para manter neste trabalho um caráter de maior legibilidade, começarei por alguns casos isolados, de particular importância e atualidade, tomando, por exemplo, o pedigree do melhor cavalo veterano europeu de 1962: Match. Trata-se de um expoente da criação francesa que, após uma excelente campanha aos três anos, logrou, aos quatro anos (convém notar) vencer a prova mais importante a peso por idade do calendário inglês, sem, que a criação britânica fosse capaz de apresentar um único elemento que o pudesse ameaçar.

No pedigree de Match encontramos as seguintes presenças de garanhões chefes-de-raça: 3 vezes Rock Sand, 2 vezes Sunstar e 1 vez Teddy, Hurry On, Alcantara II, Swynford, Blandord, Fair Play, Black Toney, Tourbillon e Tracery. Um total de 14 presenças. Além disso, encontramos o nome de Sans Souci II, que não é garanhão chefe-de-raça, mas é elemento de particular consistência.

Notamos, imediatamente, que nesse pedigree não existe nenhum dos dez nomes classificados como elementos brilhantes, razão pela qual, querendo dar uma expressão numérica ao pedigree de Match, teremos: 0 + 14, ou seja, 100 de nomes consistentes.

(N.T.): Match era irmão inteiro de Reliance e irmão materno de Relko, ambos chefs-de-race. Ele morreu em seu terceiro ano de serviço como garanhão e gerou 12 vencedores de provas hoje consideradas black-types.

Comparemos agora estes dados com os que se obtém examinando o pedigree do cavalo que reinava soberano na Inglaterra quando Match atravessou o canal para sua vitoriosa incursão, ou seja, Henry the Seventh. Disse que reinava soberano, o que pode parecer ironia, porquanto, com efeito, Henry the Seventh contentou-se em vencer o Eclipse Stakes, em 2.000 metros, mas, apesar disso, foi mandado, a enfrentar o "invasor" francês no percurso bem mais árduo da milha e meia, em Ascot, sabendo-se embora que não teria chance alguma. Seu pedigree apresenta quinze nomes de garanhões consistentes contra sete de garanhões brilhantes, ou mais precisamente: 4 vezes Chaucer, 2 vezes The Tetrarch, 1 vez Gainshorough, Pharos, Teddy, Swynford, Son-in-Law, Dark Ronald, Hurry On, Tracery e Rock Sand e, do outro lado, 3 vezes Phalaris, 2 vezes Fairway e 1 vez Hyperion e Cicero. Em números convencionais, 7 + 15, ou seja, um terço de seu mais conspícuo patrimônio genealógico é formado por nomes brilhantes, enquanto o francês Match apresenta, como vimos, cem por cento de nomes consistentes.

Mas aprofundemos mais ainda olhar nestes dois pedigrees Eles têm em comum pelo menos cinco nomes: Teddy, Hurry On, Swynford, Rock Sand e Tracery. Os restantes nomes do pedigree de Henry the Seventh poderiam prestar-se, se, com efeito, quiséssemos excluir a responsabilidade das sete presenças de Hyperion, Phalaris, Fairway e Cicero, a suspeita de inconsistência poderia transferir-se para os nome que Henry The Seventh não tem em comum com Match, isto é: Gainsborough, Chaucer, Pharos, Son-in-Law, Dark Ronald e The Tetrarch, este último, convém notar, com duas presenças. Mas são todos nomes insuspeitos, exceto, talvez, The Tetrarch, o qual porém eu insisto em absolver, porquanto, tomando dois exemplos ao acaso, verifica-se sua presença também no pedigree do consistentísissimo Alcide e do não menos forte vencedor do Cesarewitch, Golden Fire.

Aliás, 2 meses após o episódio de Match, os ingleses venciam o St. Leger S. com Hethersett contra o favorito italiano Antelanii e 05 cavalos franceses. Hethersett tem um índice de consistência bem superior ao de Henry the Seventh, contando com 4 presenças brilhantes contra 20 dos outros grupos, cujo valor veremos mais adiante em porcentagem. Mas o duelo anglo-francês, em termos de dosagem, teve outro e muito interessante desenvolvimento no ano seguinte, por intermédio do campeão dois anos inglês Crocket que se impôs nos Dois Mil Guinéus, enquanto logo após o francês Relko, parente próximo de Match, passeava no Derby de Epson. Em Crocket, as presenças de garanhões chefes-de-raça são expressas pelo símbolo 7-25 e em Relko, por 2-20. Convém notar, portanto, a impressionante semelhança dos índices de Crocket com os de Henry the Seventh, e a não menos significativa semelhança das estruturas genealógicas de Relko de Match.

Mas voltemos ao pedigree de Henry the Seventh. Se dividirmos 15 por 7 obteremos um quociente de 2.14, que pode ser considerado o índice de consistência deste cavalo. É óbvio que, se em lugar de 15 chefes-de-raça consistentes, tivermos, digamos, 28, o índice seria 28 dividido por 7 = 4 e, ao contrário, se em lugar de 7 chefes-de-raça brilhantes tivéssemos apenas 3, o índice seria 15 dividido por 3 = 5, e assim por diante. Mas ainda não sabemos qual seja o índice ideal de nossa pesquisa, o ponto central ao qual reportar qualquer caso concreto. Para uma melhor orientação, tomemos um grupo de cavalos inglêses nascidos em 1959 que, com dois anos, ou seja em 1961, foram de primeira categoria, mas com três anos, tornando-se mais longa as distâncias, não foram mais capazes de vencer ou apenas pontificaram em distâncias breves e médias. É um dos mais singulares casos destes últimos anos, significando toda a elite de uma geração que não se pôde realizar. É possível que consigamos descobrir um fator comum ao qual ligar esta inconsistência. Ao lado do nome de cada produto colocamos os dois números que representam respectivamente o total dos nomes brilhantes e o total dos nomes consistentes e, em seguida, o quociente ou índice resultante da divisão dos dois números e obteremos o que se segue:

Miralgo .................... 4 - 13 = 3,25

Display (f) ................ 5 -  8  = 1,60

La Tendresse (f) ...... 5 - 14 = 2,80

Escort ...................... 3 -  9 = 3,00

Caerphilly (f) ............ 5 - 16 = 3,20 

Gustav ..................... 4 - 15 = 3,75

Compensation ......... 9 - 14 = 1,55

Sovereing Lord ........ 4 - 14 = 3,50

Romulus .................. 6 - 18 = 3,00

Bow Tie ...................  6 -  9 = 1,33


Notamos, imediatamente, que se trata de índices um tanto baixos, mais ou menos próximos ao de Henry the Seventh e afastadíssimo do de Match, que é 14. Porém, o indíce de Match não constitui um ponto de referência definitivo, porque faltam completamente em seu pedigree os elementos brilhantes e, portanto, é impraticável fazer o cálculo        de proporção. Além disso, os números que apresentei mais acima são sintéticos, inclusive por razões a brevidade de exposição. Por exemplo, os 18 nomes consistentes de Romulus deveriam, por sua vez, ser divididos em quatro grupos, segundo a tabela apresentada no capítulo precedente. A fórmula tabulada é a que indica o equilíbrio geral do pedigree, mas, por enquanto, estamos interessados em chegar a algumas conclusões sobre o índice de consistência. Façamos então o raciocínio inverso tomando os nomes dos cavalos que, no mesmo período, na Inglaterra, venceram provas de mais fôlego ou pelo menos mostraram uma consistência satisfatória. Tome-mos, pois, o mencionado vencedor do St. Leger, Hethersett. o ganhador do precedente St. Leger, Auretius, o laureado da Copa de Ouro de Ascot , Pandofell, o cavalo Die Hard, que teve êxito em 2.800 metros, a égua Alcove, que venceu nos 3.800 metros, e o herói do Derby Irlandês de 1961, Your Highness. À primeira vista, trata-se de um grupo sólido e totalmente oposto ao anteriormente examinado. Vejamos os índices que apresenta:

Hethersett ................... 4 - 20 = 5,00

Aurelius ....................... 3 - 14 = 4,50

Pandofeil ..................... 1 - 10 = 10,00

Die Hard ...................... 3 - 18 = 6,00

Aleove ......................... 2 - 14 = 7,00

Your Highness ............. 1 - 14 =14,00


Evidencia-se, imediatamente, as diversas estruturas destes pedigrees. Os nomes brilhantes estão reduzidos ao mínimo e os nomes consistentes aparecem em quantidade apreciável, porém não superiores às quantidades observadas em muitos dos componentes do primeiro grupo. Chegamos, portanto, à urna primeira conclusão parcial: que a incidência de atitudes dos nomes brilhantes é, em certo sentido, mais forte que a dos consistentes. Ou, em outras palavras, quase todos os pedigrees e outro é o maior ou menor número de nomes brilhantes. Daí a grande importância de se proceder à separação do primeiro grupo de garanhões-base dos outros quatro, da formação do índice dividindo o total dos quatro grupos pelo total do primeiro grupo. Outra conclusão parcial é que um indíce de 3, segundo se constata em Romulus, ou pelo menos inferior, a 4, segundo o verificado em Sovereign Lord, Miralgo e Gustav, não parece suficiente para criar o cavalo completo, enquanto esta condição privilegiada parece ser alcançada quando o índice começa a superar - o número 4. Os casos de Pandofell e Your Highness são evidentemente extremos; neles, a presença de um único nome brilhante pode ser consideraria puramente casual e, para todos os fins práticos, traia-se de pedigrees que poderíamos chamar de "integrais", ou seja, compostos inteiramente de nomes sólidos, assim como sucede com pedigree de Match.

Assim, pois, podemos concluir que os cavalos ingleses não estão necessariamente condenados a unia posição de inferioridade nas corridas clássicas e de mais distância, mas, infelizmente, nelas agora se encontram justamente quando seu patrimônio genético compreende uma dose demasiado elevada de elementos brilhantes, e isso acontece na grande maioria dos cavalos ingleses de hoje. É interessante, a este respeito, transcrever a tabela elaborada pelo estudioso inglês Eric Rickman sobre os 211 pedigrees , tabulados que aparecem na última edição de 1962 do "Register of Thoroughbred Stallions".

Dividem-se, segundo as linhas de proveniência, da seguinte maneira:

Phalaris ................ 73 = 34,1%

Hyperion .............. 25 = 11,8%

The Boss ............. 20 = 9,5%

Total brilhante             = 55,4%

Blandford ............. 24 = 11,4%

Teddy ................... 13 = 6,6%

Tourbillon ............. 11 = 5,2%

Hurry On ..............  8 = 3,8%

Total consistente        = 27,0%


Os restantes 17,6% pertencem a linhas menores, mas é significativo que as proveniências das três origens brilhantes sejam em número superior ao dobro das quatro principais proveniências clássicas. Porém, repito, quando se evita o excesso de elementos brilhantes, os resultados podem ser altamente lisonjeiros, como no caso de Alcide, 2-16, índice 8, ou no caso definitivamente extremo de Crepello, que tem um pedigree integral, formado por nove nomes consistentes e nenhum nominativo brilhante, mais ou menos como o francês Match.

Outros exemplos probatórios são os do vencedor do Derby e do St. Leger, Never Say Die, 3-15, índice 5; Alcarus, 4-16; índice 4; Exar, 4-21, índice 5,25; e assim por diante. Mas o problema inglês é justamente que estes indivíduos de primeira ordem são rari nantes lo gurgito vasto. A situação francesa, entretanto, é oposta e às vezes chega a extremos dificilmente inimagináveis. Na França, o único sangue local que  pode levantar suspeitas de ser excessivamente brilhante em detrimento da consistência é o de Pharis, e é conveniente notar que Pharis tem estado conspicuamente ausente dos pedigrees dos grandes vencedores franceses destes últimos anos. Desde que a coudelaria Boussac deixou de ser o fator predominante nos clássicos franceses e nas excursões francesas ao exterior, os pedigrees acentuaram seu caráter de grande solidez, e até mesmo de rusticidade, porque nêles as presencas de Phalaris além de Pharis, de Hyperion e de Orby são esporádicas e, em todo caso, não contribuem para formar as características morfológicas e de atitude nem sequer de uma minoria dos cavalos criados na França. Por essa razão, é facílimo encontrar um cavalo francês com um índice alto e muito difícil encontrá-lo com um índice baixo, como se verifica na seguinte lista dos mais importantes garanhões recentes.

Garanhões franceses totalmente isentos de presenças brilhantes, ou seja, donos de pedigrees integrais: 

Alindrake, Arbar, Arbel, Avenger, Beatu Prince II, Bey, Breughel, Caracalla, Cranach (de Coronach ), Djebel, Djefou, Fine Top, Le Pacha, Magister, Marsyas, Tantieme, Northern Light, Ocarina, Phil Drake, Popof, Prince Bio, Vattel, Royal Drake, Sicanibre, Vieux Manoir, Wild Risk e Tyrone, 

Garanhões franceses com índices altos:

Alizier ................. 1-5 = 5

Chamant .............. 1-7 = 7

Clarion ................  1-6 = 6

Klairon ...............   1-7 = 7

Lavandin ............   1 - 6 = 6

Shikanspur .........   1 - 11 = 11

Silnet ...................  1 - 6  = 6

Soleil Levant .......  1- 12 = 12

Sunny Boy ..........   1- 9  = 9

Vamos .................   1 - 9 = 9

Worden .................  1 - 8  = 8

Chiugacgook ........  1 - 8  = 8

Altipan .................  1- 32 = 12

Tanerko ...............   2 - 10 = 5

Outros exemplos ainda de "pedigrees integrais" isto é, totalmente isentos de elementos brilhantes, são os dos norte-americanos Iron Liege e Hill Gail e os dos franceses Hugh Lupus, Manet e Vimy, enquanto outros exemplos de índices altos são os Ballymoss (7), Guide (12), Jock Scot (8), Pinza (7), Tehran (7), e assim por diante.

Mas, nem sempre o cálculo das presenças dos garanhões chefes-de-raça fornece um diagrama numérico em plena harmonia com as características efetivas do individuo examinado. Estes casos discrepantes, que, aliás, constituem uma minoria, devem-se ao fato de que em certos pedigrees predomina a influência de antepassados que, por urna razão ou por outra, não estão compreendidos no grupo dos 50 garanhões chefes-de-raça e, portanto, não contribuem para a elaboração da contagem, desequilibrando, além disso, o índice resultante.

Esses casos anômalos poderiam, ou não, invalidar a legitimidade das dosagens que apresento e são ainda objeto de estudo para determinar a sua eventual inclusão na lista dos garanhões chefes-de-raça. A expansão numérica e geográfica do rebanho do puro-sangue é tal que a minha própria escolha original de 50 garanhões embora  representando uma atualização no que diz respeito aos nomes de Vuillier, corre o risco de ser superada, se não for completada com os nomes dos garanhões que, nos últimos anos, assumiram importância mundial. Dessa forma, a tabela definitiva dos garanhões chefes-de-raça de nosso século incluirá ainda outros nomes, mas este é um assunto a ser  tratado mais profundamente em outra oportunidade.


(continua)